"— Mas o motivo... –indagou o senhor Duval.
— Um homem não mata por nada.
— O motivo? –respondeu Ellery, encolhendo os ombros.
— O senhor já conhece o motivo".

Ellery Queen, em Aventuras na Mansão das Trevas







Dizem que as guerras ocorrem por razões nobres: a segurança internacional, a dignidade nacional, a democracia, a liberdade, a ordem, a civilização ou a vontade de Deus.
Nenhuma tem a honestidade de confessar: "Eu mato para roubar".

Não menos de três milhões de civis morreram no Congo ao longo da guerra de quatro anos que está suspensa desde fins de 2002.
Morreram pelo coltan, embora nem eles sabiam disso. O coltan é um mineral raro, e o seu nome estranho designa a mistura de dois minerais raros chamados columbita e tantalita. Pouco ou nada valia o coltan, até que se descobriu que era imprescindível para a fabricação de telefones celulares, naves espaciais, computadores e mísseis; passou então a ser mais caro que o ouro.
Quase todas as reservas conhecidas de coltan estão nas areias do Congo. Há mais de quarenta anos, Patrício Lumumba foi sacrificado num altar de ouro e diamantes. Seu país torna a matá-lo a cada dia. O Congo, país paupérrimo, é riquíssimo em minerais, e esse presente da natureza continua a converter-se em maldição da história.

Os africanos chamam o petróleo de "merda do Diabo".
Em 1978 descobriu-se petróleo no sul do Sudão. Sete anos depois, sabe-se que as reservas chegam a mais do dobro, e a maior quantidade jaz no oeste do país, na região de Darfur.
Ali ocorreu recentemente, e continua a ocorrer, outra matança. Muitos camponeses negros, dois milhões segundo algumas estimativas, fugiram ou sucumbiram, a bala, a facão ou a fome, com a passagem das milícias árabes que o governo apóia com tanques e helicópteros.
Esta guerra disfarça-se de conflito étnico e religioso entre os pastores árabes, islâmicos, e os labregos negros, cristãos e animistas. Mas acontece que as aldeias incendiadas e os cultivos arrasados estavam onde começam a se instalar agora as torres petroleiras que perfuram a terra.

A negação da evidência, injustamente atribuída aos bêbados, é o mais notório costume do presidente do planeta, que felizmente não bebe nem uma gota.
Ele continua a afirmar, diariamente, que a sua guerra do Iraque nada tem a ver com o petróleo.
"Enganaram-nos ocultando informação sistematicamente", escrevia a partir do Iraque, por volta de 1920, um tal Lawrence da Arábia: "O povo da Inglaterra foi levado à Mesopotâmia para cair numa armadilha da qual será difícil sair com dignidade e com honra".
Sei que a história não se repete; mas às vezes duvido.

E a obsessão contra Chávez? Nada tem a ver com o petróleo da Venezuela esta frenética campanha que ameaça matar, em nome da democracia, o ditador que ganhou nove eleições limpas?
E os contínuos gritos de alarme com o perigo nuclear iraniano, nada têm a ver com o fato de o Irã conter uma das reservas de gás mais ricas do mundo? E se não é assim, como se explica isso do perigo nuclear? Foi o Irã o país que despejou as bombas nucleares sobre a população civil de Hiroshima e Nagasaki?

A empresa Bechtel, com sede na Califórnia, havia recebido em concessão, por 40 anos, as águas de Cochabamba. Toda a água, incluindo a água das chuvas. Nem bem se instalou, triplicou as tarifas. Explodiu um motim, e a empresa teve de ir embora da Bolívia.
O presidente Bush consolou-a concedendo-lhe a água do Iraque.
Muito generoso da sua parte. O Iraque não só é digno de aniquilação pela sua fabulosa riqueza petrolífera: este país, regado pelo Tigre e pelo Eufrates, também merece o pior porque é a mais rica fonte de água doce de todo o Médio Oriente.

O mundo está sedento. Os venenos químicos apodrecem os rios e as secas exterminam-nos, a sociedade de consumo consome cada vez mais água, a água é cada vez menos potável e cada vez mais escassa. Todos dizem isso, todos sabem: as guerras do petróleo serão, amanhã, guerras da água.
Na realidade, as guerras da água já estão acontecendo.
São guerras de conquista, mas os invasores não lançam bombas nem desembarcam tropas. Viajam vestidos como civis, estes tecnocratas internacionais que submetem os países pobres a estado de sitio e exigem privatização ou morte. Suas armas, mortíferos instrumentos de extorsão e de castigo, não fazem volume nem provocam ruído.
O Banco Mundial e o Fundo Monetário Internacional, dois dentes da mesma pinça, impuseram, nestes últimos anos, a privatização da água em 16 países pobres. Entre eles, alguns dos mais pobres do mundo, como Benim, Níger, Moçambique, Ruanda, Yemen, Tanzania, Camerúm, Honduras, Nicarágua… O argumento era irrefutável: ou entregam a água ou não haverá clemência com a dívida nem empréstimos novos.
Os peritos também tiveram a paciência de explicar que não faziam isso para desmantelar soberanias e sim para ajudar a modernização dos países afundados no atraso pela ineficiência do Estado. E se as contas dá água privatizada tornavam-se impagáveis para a maioria da população, tanto melhor: para ver se assim finalmente despertava sua vontade adormecida de trabalho e de superação pessoal.

Na democracia, quem manda? Os funcionários internacionais das altas finanças, votados por ninguém?
Em fins de Outubro de 2004, um plebiscito decidiu o destino da água no Uruguai. A grande maioria da população votou, por esmagadora maioria, confirmando que a água é um serviço público e um direito de todos.
Foi uma vitória da democracia contra a tradição de impotência, que nos ensina sermos incapazes de administrar, nem a água nem nada; e contra a má fama da propriedade pública, desprestigiada pelos políticos que a utilizaram e maltrataram como se o que é de todos fosse de ninguém.
O plebiscito do Uruguai não teve nenhuma repercussão internacional. Os grandes meios de comunicação não se inteiraram desta batalha da guerra da água, perdida pelos que sempre ganham; e o exemplo não contagiou nenhum país do mundo. Este foi o primeiro plebiscito da água e até agora, que se saiba, foi também o último.


Eduardo Galeano






DOWNLOAD: GETTING OFF! -
THE SEDUCTIVE SOUNDS OF 70's ADULT CINEMA - 192 Kbps
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CANALHOCRATAS



Por Coletivo Periferia

Música de Jorge Mirim, Rodrigo e Jorge Fernandes nas vozes de Bezerra da Silva e Genaro.
































Viver e deixar viver é uma epígrafe miserável para um exército. Desprezo pelos seus próprios camaradas, pelo inimigo, e acima de tudo, por si mesmo. Se um soldado deve ser bom para alguma coisa, deve ser o exato oposto de uma criatura razoável e pensante. Deve criar padrões absolutamente peculiares de moralidade.




Ernstfall Frieden
, ex oficial do exército austríaco e autor de "O Moral dos Soldados na Paz e na Guerra", um dos clássicos do assunto.









DOWNLOAD: KARL HECTOR + THE MALCOUNS
- SAHARA SWING - 2008 - VBR



Estamos nós, que vivemos no presente, condenados a nunca experimentar a autonomia, nunca pisarmos, nem que seja por um momento sequer, num pedaço de terra governado apenas pela liberdade? Estamos reduzidos a sentir nostalgia pelo passado, ou pelo futuro? Devemos esperar até que o mundo inteiro esteja livre do controle político para que pelo menos um de nós possa afirmar que sabe o que é ser livre?


Hakim Bey




DOWNLOAD: JOÃO DONATO & EUMIR DEODATO - DONATODEODATO - 1969 - 320 Kbps
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DOWNLOAD: SAUL WILLIAMS - NOT IN MY NAME EP - 2003 - 192 Kbps
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5
Busca a felicidade agora, não sabes de amanhã.
Apanha um grande copo cheio de vinho,
senta-te ao luar, e pensa:
Talvez amanhã a lua me procure em vão.

13
Não vamos falar agora, dá-me vinho. Nesta noite
a tua boca é a mais linda rosa, e me basta.
Dá-me vinho, e que seja vermelho como os teus lábios;
o meu remorso será leve como os teus cabelos.

18
Não me lembro do dia em que nasci;
não sei em que dia morrerei.
Vem, minha doce amiga, vamos beber desta taça
e esquecer a nossa incurável ignorância.

22
Na estação das rosas procuro um campo florido
e sento-me à sombra com uma linda mulher;
não cuido da minha salvação: tomo o vinho
que ela me oferece; senão, o que valeria eu?

37
Quando me falam das delícias que na outra vida
os eleitos irão gozar, respondo:
Confio no vinho, não em promessas;
o som dos tambores só é belo ao longe.

38
Bebe vinho, ele te devolverá a juventude,
a divina estação das rosas, da vida eterna,
dos amigos sinceros. Bebe, e desfruta
o instante fugidio que é a tua vida.

56
Só de nome conhecemos a felicidade.
O nosso melhor amigo é o vinho;
afaga a única que te é fiel: a garrafa,
cheia dos sangue das vinhas.

59
Pessoas presunçosas e obtusas inventaram
diferenças entre o corpo e a alma.
Sei apenas que o vinho apaga as angústias
que nos atormentam, e nos devolve a calma.

71
Do meu túmulo virá um tal perfume de vinho
que embriagará os que por lá passarem,
e uma tal serenidade vai pairar ali,
que os amantes não quererão se afastar.

73
Alguns amigos me dizem: Não bebas mais Khayyam.
Respondo: Quando bebo, ouço o que me dizem
as rosas, as tulipas, os jasmins;
ouço até o que não me diz a minha amada.

78
Sente todos os perfumes, todas as cores,
todas as músicas; ama todas as mulheres.
Lembra-te que a vida é breve,
e que breve voltarás ao pó.

84
Colhe os frutos que a vida te oferece
e escolhe as taças maiores;
não creias que Deus vá fazer as contas
dos teus vícios e das tuas virtudes.

92
Não aprendeste nada com os sábios,
mas o roçar dos lábios de uma mulher em teu peito
pode te revelar a felicidade.
Tens os dias contados. Toma vinho.

93
O vinho dá-te o calor que não tens;
suaviza o jugo do passado e te alivia
das brumas do futuro; inunda-te de luz
e te liberta desta prisão.

94
Nunca rezei nas mesquitas, mas antes
ainda sentia uma tênue esperança.
Agora gosto de me sentar lá;
aquela sombra é propícia ao sono.

101
Cansado de perguntar aos sábios, perguntei à taça:
Para onde irei depois da morte?
Ela me respondeu baixinho: Bebe em minha boca,
bebe longamente: não voltarás.

109
Homem ingênuo, pensas que és sábio
e estás sufocado entre os dois infinitos
do passado e do futuro. Não podes sair.
Bebe, e esquece tua impotência.


Omar Khayyam, em Os Rubayat, escritos na Pérsia por volta do ano 1100.




DOWNLOAD: DOROTHY ASHBY - THE RUBAIYAT OF DOROTHY ASHBY - 1970 - 192 Kbps
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DOWNLOAD: GEORGE BENSON - EROTIC MOODS - 2008
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Nota: Não se sabe se Benson de fato participou deste disco, há quem diga que ele foi gravado apenas pela Harlem Underground Band. Embora tenha sido lançado em 2008, as gravações são de 1978. Eram membros da Harlem Underground Band: Reuben Wilson, Dave "Babe" Cortez, Sterling McGee, Earl Williams and Willis Jackson.

DOWNLOAD FILM TORRENT: HASCHISCH
-
DANIEL GRABNER - 80 min. - ALEMANHA - 2002 -




O haxixe foi a primeira droga visionária a capturar a imaginação dos intelectuais ocidentais. Ainda que o ópio possa ter inspirado as ruminações de Thomas de Quincey (sobre a memória e o trabalho onírico em suas "Confissões") e transportado escritores e artistas do século XIX ao ‘demi-monde’ do sonho desperto, estes foram casos pouco comuns de excitação mental, contrários aos seus principais efeitos como narcótico. O ópio concorria para embotar os sentidos e amortecer a consciência. A calma soporífera e celeste à qual se abandonava o comedor de ópio estava bem longe da euforia delirante do haxixe, há muito tempo conhecido no Oriente.

É quase certo que o primeiro dos românticos a experimentar o haxixe foi Samuel Taylor Coleridge. Em 1804, já familiarizado com os efeitos do láudano e do óxido nitroso, Coleridge conseguiu um pouco de bhang via Companhia das Índias Orientais, a fim de examinar, com Tom Wedgwood, seus efeitos na percepção. Para Coleridge, o haxixe era um estimulante mítico de sonhos e fantasias: elixir fabuloso das noites árabes; "nepenthe" dos gregos, descrito por Homero como "potente destruidor do desgosto".

Apesar de tudo, nem Coleridge nem Wedgwood experimentaram efeitos que justificassem a reputação do haxixe como substância visionária, e apenas na metade do mesmo século é que o ‘mode du haschisch’ começaria a excitar a curiosidade de escritores e artistas, quando o psiquiatra Jacques Joseph Moreau conduziu os primeiros experimentos científicos com a droga.

Moreau descobriu o haxixe em viagem pelo Egito, por volta de 1830, e interessou-se pela substância como "um meio de explorar o campo da patologia mental" presumindo que os delírios, impulsos e alucinações pelo haxixe inspirados constituíssem uma forma paralela e especial de insanidade.

Junto com Theophile Gautier, Moreau estabeleceu o Club des Haschischin, nos idos de 1840, fundando uma paródia de ordem oriental composta por artistas e escritores que se reuniam em saraus mensais no Hotel Pimodan. Ali, na Ile Saint-Louis, na elegância suntuosa dos interiores majestosos do Pimodan, os haschischins ingeriam sua "dawamesk" (uma pasta doce de haxixe) e esperavam o disparar do sublime delírio.

Gautier publicou dois diferentes relatos sobre suas experiências no clube. A primeira apareceu em "La Presse Medicale", em 1845, e contava com uma descrição famosa do haxixe e de sua peculiar capacidade de magnificar e distorcer os sentidos.

Gerard de Nerval, Alfred de Musset, Alexander Dumas e Charles Baudelaire foram visitantes do clube. Se é sabido que Baudelaire o visitou em pelo menos uma ocasião, como convidado do pintor Ferdinand Boissard, é improvável que ele o tenha usado com indulgência; na verdade, há poucas provas capazes de sugerir que Baudelaire tenha experimentado mais de uma vez. Em "Les Paradises Artificiels", Baudelaire, por seu turno, afirmava ter baseado suas descobertas nas "notas e confidências de homens inteligentes ao haxixe devotados".

Quaisquer que fossem as razões para que Baudelaire não quisesse falar diretamente de sua experiência pessoal, sua avaliação dos efeitos do haxixe sobre a "imaginação poética" permanece uma obra-prima de vislumbre psicológico - ainda que sua avaliação final sobre o haxixe como estimulante da imaginação fosse bastante irônica.

Nos EUA, a primeira onda de investigadores do haxixe não partilhava da suspeita de Baudelaire. Escrevendo para o "Atlantic Monthly", em 1854, Bayard Taylor descreveu o "indizível transporte" induzido pelo haxixe numa viagem celestial por pirâmides, desertos e palmeiras. A descrição de Taylor deste "jardim das delícias sensual" foi lida por Fitz Hugh Ludlow, um estudante de 18 anos, que já tinha dado início a suas próprias investigações sobre o assunto. Em 1857, os experimentos de Ludlow vieram à luz sob o nome de "The Haxixe Eater", publicado anonimamente, e neles são bem perceptíveis as influências tanto de Taylor como de De Quincey. As confissões de Ludlow desdobram-se numa série de viagens por territórios primevos e paisagens orientais, culminando na sua subida às alturas majestosas da iluminação, de onde ele conseguia lobrigar "as brumas da verdade enevoada".

Embora Ludlow creditasse o haxixe como uma "droga de viagem", a substância era também capaz de "ampliar a percepção" e de produzir vislumbres filosóficos. Por meio dessa capacidade do haxixe em desligar a mente do corpo é que Ludlow encontrou as provas tangíveis do mundo platônico do Ideal, da metempsicose de Pitágoras e de muito da bagagem filosófica central do transcendentalismo norte-americano do século XIX.


Antonio Melechi





DOWNLOAD: STUDIO ONE ROOTS 1
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DOWNLOAD: STUDIO ONE ROOTS 3










DOWNLOAD: JAY JAY JOHANSON - TATTOO - 1998
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Uma sociedade frágil, roída, consumida e abastardada por infindáveis quarteladas e golpes de estado fascistas como o de 1964; politicamente corrupta, porque o dinheiro vem antes da comunidade e seu sentido; intelectualmente capacho, porque jamais conseguiu abandonar a subserviência desde a pronúncia até as principais idéias; popularmente servil, amansada duramente por séculos de crença, favores e milagres; secularmente injusta, porque a lei não pode jamais ser feita "para o pobre", pois é coisa de Classe e de Estado; capada e recapada até não restar senão um gemido ridículo, humilde e metido a besta; curvada e recurvada, batida e rebatida. Sobre esta massa podre (que é o povo, sempre o povo!) impera, momento sim momento não, cada fatia de um Poder qualquer: uma vez é o momento dos coronéis, depois dos tenentes, depois dos generais; chega o momento do imperador, do governador, do presidente, do prefeito; passa o momento dos estudantes, dos jovens, das modas e chega o momento das mídias; passa o momento dos senhores de terra e chega o momento dos senhores das fábricas; passa o momento do Executivo, chega o do Legislativo; passa o momento do narcotráfico chega o momento do Judiciário. Cada momento destes, que não passam e se completam e se interpenetram, é o Horror! A supremacia da ignorância, do fascismo, da brutalidade, da insensibilidade, da delação: o momento da lei, da ordem, da pátria, da terra, da bandeira, da tortura, do exílio, da cotidiana passividade: momentos que causam dor, causam angústia, causam descrédito.


Alberto Lins Caldas




DOWNLOAD: CHOCOLATE MILK -
ACTION SPEAKS LOUDER THAN WORDS - 1975 - 320Kbps
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Nossa barca elevada nas brumas imóveis navega em direção ao porto da miséria, a cidade enorme de céu sujo de fogo e lodo.


Quando iremos, enfim, para além das praias e das montanhas saudar o nascimento do trabalho novo, da sabedoria nova, a fuga dos tiranos e dos demônios, o desaparecimento da superstição; quando iremos adorar - os primeiros! - a Natividade sobre a terra? O canto dos céus, a marcha dos povos!
Escravos, não amaldiçoemos a vida.


Arthur Rimbaud





DOWNLOAD: LACK OF AFRO - PRESS ON - 2007
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DOWNLOAD: THE FREESTYLE FELLOWSHIP -
TO WHOM IT MAY CONCERN.. - 1991 - 192Kbps
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ALMA ERRADA

Há coisas que a minha alma, já tão mortificada, não admite:
assistir novelas de TV
ouvir música Pop
um filme apenas de corridas de automóvel
uma corrida de automóvel num filme
um livro de páginas ligadas
porque, sendo bom, a gente abre sofregamente a dedo:
espátulas não há... e quem é que hoje faz questão de virgindades...
E quando minha alma estraçalhada a todo instante pelos telefones
fugir desesperada
me deixará aqui,
ouvindo o que todos ouvem, bebendo o que todos bebem,
comendo o que todos comem.
A estes, a falta de alma não incomoda. (Desconfio até
que minha pobre alma fora destinada ao habitante de outro mundo)
E ligarei o rádio a todo o volume,
gritarei como um possesso nas partidas de futebol,
seguirei, irresistivelmente, o desfilar das grandes paradas do Exército.
E apenas sentirei, uma vez que outra,
a vaga nostalgia de não sei que mundo perdido...


Mário Quintana




DOWNLOAD: BOOKER T. & THE MG'S - MELTING POT - 1971 - 192 Kbps
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DOWNLOAD: CHICO SCIENCE & NAÇÃO ZUMBI - AFROCIBERDELIA - 1996
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E TUDO VEM A SER NADA


Tanta riqueza inserida
Por tanta gente orgulhosa,
Se julgando poderosa
No curto espaço da vida;
Oh! que idéia perdida.
Oh! que mente tão errada,
Dessa gente que enlevada
Nessa fingida grandeza
Junta montões de riqueza,
E tudo vem a ser nada.

Vemos um rico pomposo
Afetando gravidade,
Ali só reina bondade,
Nesse mortal orgulhoso,
Quer se fazer caprichoso,
Vive de venta inchada,
Sua cara empantufada,
Só apresenta denodos
Tem esses inchaços todos
E tudo vem a ser nada.

Trabalha o homem, peleja
Mesmo a ponto de morrer,
É somente para ter,
Que ele se esmoreja,
As vezes chove e troveja
E ele nessa enredada
À lama, ao sol, ao chuveiro,
Ajuntam muito dinheiro,
E tudo vem a ser nada.

Temos palácios pomposos
Dos grandes imperadores,
Ministros e senadores,
E mais vultos majestosos;
Temos papas virtuosos
De uma vida regrada,
Temos também a espada
De soberbos generais,
Comandantes, Marechais,
E tudo vem a ser nada.

Honra, grandezas, brasões;
Entusiasmos, bondades;
São completas vaidades
São perfeitas ilusões,
Argumentos, discussões;
Algazarra, palavrada,
Sinagoga, caçoada,
Murmúrios, tricas, censura,
Muito tem a criatura,
E tudo vem a ser nada.

O homem se julga honrado,
Repleto de garantia,
De brasões e fidalguia
É ele considerado,
Mas, quanto está enganado
Nesta ilusória pousada
Cá nesta breve morada.
Não vemos nada imortal
Temos um ponto final;
E tudo vem a ser nada.


Silvino Pirauá




DOWNLOAD: DJ ANDY SMITH - LIVE SET@SOLID STATE - 1999 - 192 Kbps





O MEDO GLOBAL

Os que trabalham têm medo de perder o trabalho.
Os que não trabalham têm medo de nunca encontrar trabalho.
Quem não tem medo da fome, tem medo da comida.
Os automobilistas têm medo de caminhar e os pedestres têm medo de ser atropelados.
A democracia tem medo de recordar e a linguagem tem medo de dizer.
Os civis têm medo dos militares, os militares têm medo da falta de armas.
É o tempo do medo.
Medo da mulher à violência do homem e medo do homem à mulher sem medo.


Eduardo Galeano




DOWNLOAD: DJ NUTS - CULTURA CÓPIA - 2004 - VBR

FARC-EP




Contrariamente à posição do governo americano que caracteriza as FARC-EP como uma 'organização terrorista', estas são atualmente o movimento de guerrilha mais antigo e de maior base camponesa do mundo. Fundadas em 1964 por uma dezena de ativistas camponeses como meio para defender as comunidades autônomas rurais das violentas depredações de militares e paramilitares colombianos, as FARC-EP transformaram-se num exército guerrilheiro fortemente organizado com 20 mil membros em várias centenas de milhares de milícias e apoiantes locais, extremamente influente em mais de 40% do país. Em 11 de Setembro de 2001, as FARC-EP já eram reconhecidas como um legítimo movimento de resistência pela maior parte dos países da União Européia, América Latina e durante vários anos andou em negociações de paz com o governo colombiano chefiado pelo presidente Andrés Pastraña. Antes de 11/Set os líderes das FARC encontraram-se com chefes de estado europeus para trocarem idéias sobre o processo de paz. Inúmeros líderes de negócios influentes da Wall Street, da City de Londres e de Bogotá e gente famosa como a Rainha Noor da Jordânia encontraram-se com dirigentes das FARC na zona desmilitarizada, durante as fracassadas negociações de paz (1999-2002).


O papel dos EUA no conflito

Começando com o presidente Clinton em 2000 e continuando com Bush, os EUA injetaram no regime colombiano mais de 4 bilhões de dólares em ajuda militar a fim de destruir o exército guerrilheiro e a sua base social entre os camponeses, sindicatos urbanos e profissionais livres (principalmente professores, advogados, ativistas dos direitos humanos e intelectuais). Washington empurra vigorosamente para uma solução militar subvertendo quaisquer negociações de paz, através de um substancial número de conselheiros militares, de mercenários contratados, operacionais da Repressão de Drogas, agentes da CIA, comandos das Forças Especiais e uma multidão de outros funcionários secretos. Desde o início dos anos 80 até ao fim dos anos 90, Washington manteve a ficção de que os seus programas militares faziam parte da campanha anti-narcóticos, embora não tenha explicado porque é que concentrava a maior parte dos esforços nas regiões influenciadas pelas FARC e não nas grandes áreas de plantações de coca controladas pelas forças militares e paramilitares colombianas. Com o lançamento do Plano Colômbia em 2000, Washington sublinhou explicitamente a natureza contra-revolucionária da sua ajuda e presença militares. Profundamente transtornado por o presidente Pastraña ter aceito as negociações de paz e as propostas dos movimentos social e guerrilheiro, Washington apoiou para presidente Álvaro Uribe, um político de direita, com um passado de ligação aos esquadrões da morte colombianos. A sua vitória eleitoral inaugurou uma das campanhas de extermínio mais sangrentas da violenta história da Colômbia.

Os militares americanos e os seus parceiros colombianos financiaram uma poderosa força de esquadrões da morte com 31 mil efetivos que devastou o país, matando milhares de camponeses em regiões onde as FARC eram influentes. Foram assassinados em plena luz do dia centenas de sindicalistas por mercenários contratados nas cidades e aldeias ocupadas pelos militares. Trabalhadores dos direitos humanos, jornalistas e acadêmicos que se atreveram a noticiar a impunidade dos militares envolvidos em massacres de aldeias, foram raptados, torturados e mortos; não poucas vezes foram decapitados ou estripados para semear ainda maior terror. Mais de dois milhões de camponeses foram forçados a fugir das suas terras para nojentas favelas urbanas, as suas terras foram apreendidas por importantes chefes paramilitares ou grandes latifundiários. A 'limpeza de classe' do campo saiu diretamente dos manuais de contra-insurreição do Pentágono, que ensinaram os militares colombianos a destruir a 'infra-estrutura social' dos movimentos de guerrilha – em particular das FARC que tinham ligações antigas e alargadas familiares, comunitárias e sociais com os camponeses.

O presidente Uribe personificou o clássico governante autoritário sul-americano. A apertar o pescoço dos pobres e de joelhos diante do seu patrão de Washington. As suas perpétuas campanhas ofensivas em larga escala dizimaram o campo mas não conseguiram enfraquecer os guerrilheiros nem sequer capturar alguém do comando geral das FARC. Depois de seis anos de enormes e dispendiosas campanhas de extermínio, militares americanos de topo e muitos militares colombianos reconheceram que era altamente improvável uma vitória sobre as FARC. O mais que podia acontecer, argumentaram os estrategas militares, era um sério enfraquecimento das FARC, forçando-as a negociar um 'acordo de paz' favorável ao regime.


Negociações de paz: História breve

Durante a presidência de Belisário Betancourt (nos meados dos anos 80), as FARC concordaram num cessar-fogo e muitos alinharam no processo eleitoral. Milhares de guerrilheiros, simpatizantes e muitos independentes de esquerda formaram um partido político, a União Patriótica, e concorreram com candidatos a todos os níveis do governo. Em menos de 5 anos, 5 mil ativistas, candidatos e eleitos foram assassinados pelos militares e seus esquadrões da morte, incluindo dois candidatos presidenciais, vários congressistas, grande quantidade de autarcas, centenas de conselheiros da cidade e líderes locais do partido. Os sobreviventes juntaram-se aos guerrilheiros, fugiram para o exílio ou passaram à clandestinidade. Contrariamente às afirmações do governo, a Colômbia não era uma 'democracia' no sentido vulgar, mas uma 'democracia de esquadrões da morte' na qual faltavam as mais elementares condições para a campanha eleitoral e normas políticas. Menos de duas décadas depois, quando as FARC já tinham alargado a sua influência até 65 km da capital Bogotá, o governo de Andrés Pastraña concordou com outra ronda de 'negociações de paz' numa grande região desmilitarizada sob a influência das FARC.

Enquanto decorriam as negociações, centenas de 'visitantes' de todos os setores da sociedade colombiana, assim como políticos estrangeiros e gente de negócios conhecida, participavam em fóruns públicos. Debates abertos organizados pelas FARC cobriram questões sociais, econômicas e políticas fundamentais. Pela primeira vez desde há muito foram debatidas sem medo de represálias dos esquadrões da morte questões como a reforma agrária, o investimento público em programas de criação de empregos, o investimento externo e a propriedade pública, as alternativas econômicas para o cultivo da coca, a educação e a saúde. Foi contestada a imagem das FARC como uma 'força militarista narco-guerrilheira'; muitos observadores anteriormente hostis da Europa, América Latina e América do Norte, embora não concordassem necessariamente com algumas das reformas propostas pelas FARC, ficaram com a impressão que era possível negociar com elas e chegar a acordos para acabar com a guerra civil.

A radicalização do regime de Bush a seguir ao 11 de Setembro de 2001 serviu de pretexto para forçar o rompimento das negociações de paz. A seguir à eleição de Álvaro Uribe, as FARC foram incluídas na lista das organizações 'terroristas'. A União Europeia, que tinha reunido publicamente com os líderes dessas mesmas FARC, seguiu a reboque dos EUA. Logo a seguir, foram presos na Bolívia, no Brasil, na Venezuela e no Equador negociadores e representantes internacionais das FARC. Estes últimos dois países entregaram os representantes das FARC à polícia política colombiana (DAS) conhecida pela sua brutalidade. Sob a capa da 'Guerra contra o Terrorismo' de Washington, o presidente Uribe prosseguiu, reprimindo severamente greves gerais sindicais e enormes manifestações rurais de protesto feitas pelas principais organizações agrícolas contra a assinatura de um acordo de 'comércio livre' com os EUA.

No meio da carnificina patrocinada pelo governo, as FARC continuaram uma estratégia de retirada tática para os seus redutos na selva e nas montanhas e emitiu propostas para troca mútua de prisioneiros como um passo de 'instituição de confiança' para futuras negociações de paz.

As FARC têm mais de 60 políticos e militares colombianos prisioneiros. O governo colombiano tem mais de 600 guerrilheiros. Os EUA têm atualmente dois membros das FARC. As FARC propuseram um encontro para negociar uma troca de prisioneiros numa zona desmilitarizada. Naturalmente, as famílias dos prisioneiros das FARC foram unânimes a favor da proposta, assim como a maior parte das organizações da sociedade civil, grupos humanitários, da igreja e de direitos humanos. Os EUA opuseram-se a qualquer troca de prisioneiros e Uribe imitou o seu amo, pelo menos durante o seu primeiro mandato. Numa recente incursão militar fracassada, foram mortos 10 prisioneiros, incluindo um ex-ministro da Defesa, um governador e oito oficiais. Sob uma enorme pressão da sociedade civil colombiana, da União Europeia e da maioria dos governos latino-americanos, o presidente Uribe declarou, na sua reeleição, que estaria disposto a entrar em negociações para uma troca. Passado um mês, porém, voltou atrás utilizando como pretexto uma bomba colocada numa instalação militar, que atribuiu às FARC apesar dos desmentidos desta. Os especialistas suspeitam que foi uma operação encoberta montada pelos serviços secretos da Colômbia para minar qualquer avanço para uma troca de prisioneiros.


A detenção ilegal e a prisão de Simon Trinidad

Qualquer procedimento jurídico digno desse nome rejeitaria o processo na base elementar de prisão ilegal. No final de Dezembro de 2003, Trinidad deslocou-se a Quito, no Equador para contatar James Lemoyne sobre possíveis negociações de paz com o governo colombiano, a começar pelo estabelecimento da confiança, e por medidas humanitárias relativas a prisioneiros e detidos. Durante a anterior negociação de paz, Lemoyne fora um negociador da paz decente, rejeitando a pressão da embaixada americana para furar os procedimentos. Dada a enorme escalada militar desencadeada pelo presidente Uribe, Trinidad não tinha possibilidade de se encontrar com Lemoyne na Colômbia. Soube-se nas FARC que Lemoyne estaria disponível para conversações em Quito.

Sob a direção da CIA, um esquadrão conjunto colombiano-equatoriano deteve Trinidad ilegalmente. Toda esta operação violou a soberania do Equador, os procedimentos judiciais e os direitos de asilo político. As detenções extra-territoriais de líderes da oposição e a sua transferência para tribunais imperialistas assemelham-se às práticas do Império Romano e não à lei internacional contemporânea.

Enquanto em cativeiro, Trinidad viu-lhe ser recusado o acesso a traduções, documentos e materiais de escrita. Foi algemado e metido numa cela solitária durante 23 horas por dia durante mais de 21 meses sem acesso a um advogado legal. O juiz federal, Thomas Hogan, e o promotor federal actuaram em prejuízo do julgamento mesmo antes de este começar. Mais de 30 policiais armados numa caravana de veículos da polícia acompanhada por helicópteros levaram Trinidad, algemado, até ao tribunal. Recusaram-lhe a escolha do advogado e atribuíram-lhe uma equipe de advogados nomeados pelo tribunal. Quando os seus advogados tentaram fornecer um contexto histórico relevante incluindo as tentativas das FARC em participar na política eleitoral e o subseqüente massacre de 5000 ativistas e candidatos, incluindo dois candidatos presidenciais, a acusação se opôs. A acusação também se opôs contra a descrição da defesa da enorme e continuada violência do estado na Colômbia e o papel das forças americanas de contra-insurreição aliadas aos grupos paramilitares.

Neste pesadelo kafkiano de um tribunal, a acusação pediu ao juiz que não divulgasse os nomes dos jurados para os proteger contra 'retaliações' da 'organização terrorista' de Trinidad (escondida na selva colombiana) – influenciando ainda mais um júri já amedrontado e um juiz preconceituoso.

Os advogados de defesa nomeados pelo tribunal esqueceram-se de contestar as afirmações prejudiciais mais elementares feitas pela testemunha chave da acusação, um coronel do exército colombiano que se referiu a Trinidad como 'terrorista' apesar do fato óbvio de ele ainda não ter sido condenado. O juiz Hogan recusou-se a permitir que os jurados usassem os seus livros de notas que continham notas do julgamento do tribunal e recusou-lhes o acesso às transcrições, impedindo-os de avaliar racionalmente as provas.

A refutação de Trinidad da principal testemunha colombiana da acusação e a natureza ultrajante deste julgamento político fantoche foram evidentes desde o primeiro dia em que o júri relatou ao juiz. O júri declarou que estava profundamente dividido em relação a todas as acusações e pediu ao tribunal para anular o julgamento. Após 18 dias de fortes acusações, demagogia e retórica política inflamada, os jurados passaram mais de sete horas a deliberar antes de informarem que estavam num beco sem saída. Uma nota dos jurados para o juiz distrital Thomas Hogan afirmava: “Cremos que as nossas divergências baseadas numa profunda reflexão são irresolúveis”. O juiz Hogan rejeitou o pedido de Trinidad para um julgamento inválido e disse aos jurados para continuarem a deliberação, afirmando que só declararia o julgamento inválido se os jurados repetissem a sua declaração de beco sem saída pela segunda vez.


Conclusão

O 'julgamento político fantoche' de Simon Trinidad é um exemplo flagrante das ameaças às liberdades constitucionais, que nós e os cidadãos de todo o mundo enfrentamos perante o poder desenfreado do presidente americano de ultrapassar todos os direitos de estados soberanos e dos seus cidadãos, a lei internacional e as liberdades constitucionais.

É igualmente importante a realidade atual de detenções extra territoriais ilegais, de seqüestros e de procedimentos anómalos ao serviço de políticas imperiais sangrentas e de governantes clientes cujas ações têm devastado a sociedade colombiana. Mais de 2,5 milhões de colombianos, camponeses e moradores em favelas urbanas, foram desalojados pelo programa selvagem de contra-insurreição apelidado de 'Plano Colômbia'; o número de pessoas deslocadas está em segundo lugar, em primeiro está o Afeganistão. Os programas de contra-insurreição, intitulados variadamente 'Plano Colômbia', 'Plano Patriótico' e 'Segurança Democrática' são financiados e dirigidos pelos Estados Unidos e promovidos pelo seu cliente presidente Álvaro Uribe. A AFL-CIO americana documenta mais de 4000 sindicalistas assassinados entre 1986-2002; o governo colombiano só investigou 376 casos dos quais apenas cinco processos levaram à condenação do assassino. Segundo os grupos de direitos humanos colombianos, entre 2003-2006, os militares e paramilitares aliados de Uribe assassinaram mais uns mil sindicalistas. Durante os últimos cinco anos, foram mortos com total impunidade 30 mil camponeses, professores rurais e líderes de camponeses e de indígenas. A repressão do estado ('Segurança Democrática') foi dirigida para o enfraquecimento da resistência sindicalista ao Acordo de Livre Comércio EUA-Colômbia, e não para combater os exércitos guerrilheiros. Com mais de 68% da população colombiana a viver abaixo do limiar da pobreza de 2 dólares por dia e apreensões de terras pelos líderes paramilitares, barões do gado e oficiais militares, não é de estranhar que a resistência guerrilheira esteja a recrutar e a conter com êxito as campanhas militares patrocinadas pelo governo, sempre com um título triunfalista e todas elas acabando num profundo fracasso. Sem reformas políticas e sociais fundamentais e na falta de um modelo económico que integre os milhões de deslocados, aterrorizados e excluídos, não há estratega nem estratégia militar, por muito bem financiada e dirigida por Washington, que possa acabar com o conflito civil.

O primeiro passo para uma solução deste conflito de meio século é o reconhecimento de que a Colômbia está no meio de uma guerra civil, e não de uma 'guerra contra o terrorismo'. O segundo é libertar os protagonistas do processo da paz, Simon Trinidad e a sua camarada 'Sonia' como um movimento concreto para uma troca humanitária de prisioneiros e de estabelecimento de medidas de confiança que abram o caminho a negociações de paz a toda a escala.

Paradoxalmente, o fim do banho de sangue poderia começar em Washington, num tribunal federal, ou até mesmo no Congresso dos EUA com o reconhecimento de que os EUA são um partido armado na guerra civil da Colômbia, que os seus combatentes são prisioneiros de guerra e que a sua libertação final depende do reconhecimento dos limites do poder militar americano (e do seu cliente colombiano) e que a única opção realista é a negociação de um acordo diplomático.


James Petras, 2006




DOWNLOAD: J.ROCC - COOKING INGREDIENTS - 2008 - 138 Kbps






Um país dominado, ou anteriormente dominado, que não modifica sua situação na divisão capitalista do trabalho internacional não faz senão reproduzir a sua situação desfavorável: quanto mais cresce a produção dos produtos que o seu “lugar” lhe atribui, mais participa do agravamento da sua situação desfavorável.


Charles Bettelheim, 1971






Estamos nos transformando na grande roça do mundo.

César Borges de Souza, vice-presidente da Caramuru Alimentos, a maior empresa de processamento de grãos do Brasil, revista Forbes, 2007




DOWNLOAD: JULIUS BROCKINGTON - SOPHISTICATED FUNK - 1972 - 256 Kbps
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DOWNLOAD: RHYTHM FUNK MASTERS
- AFRO-AMERICAN-ARCTIC - 2007 - VBR

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22 TORRENTS

Torrents da discografia completa (ou quase) de cada um dos nomes citados abaixo. Todos com boa quantidade de fontes e de gente baixando. Os torrents incluem, além de toda a discografia oficial, extras, vídeos, bootlegs, discos de remixes, tributos, coletâneas... vejam antes todos os arquivos e baixem apenas os discos que quiserem.







CAN














KRAFTWERK















MUTANTES











STEVIE WONDER
















MANDRILL



















SONIC YOUTH















HOUSE OF PAIN



















DJ CAM














DJ KRUSH













JIMI TENOR



















DJ SHADOW














Se fosse necessário caracterizar o estado atual das coisas, diríamos que é o de pós-orgia. A orgia é o momento explosivo da modernidade, o da liberação em todos os domínios. Liberação política, liberação sexual, liberação das forças produtivas, liberação das forças destrutivas, liberação da mulher, liberação da criança, das pulsações inconscientes, liberação da arte. Assunção de todos os modelos de representação e de todos os modelos de anti-representação. Total orgia de real, de racional, de sexual, de crítica e de anticrítica, de crescimento e de crise de crescimento. Atualmente tudo está liberado, a sorte está lançada e estamos diante da questão crucial: Que fazer depois da orgia?


Jean Baudrillard










  • Na era vitoriana, as calças não podiam ser mencionadas na presença de uma senhorita.
  • Hoje não fica bem dizer certas coisas na presença da opinião pública. O capitalismo ostenta o nome artístico de economia de mercado, o imperialismo chama-se globalização.
  • As vítimas do imperialismo chamam-se países em vias de desenvolvimento, o que é como chamar os anões de crianças.
  • O oportunismo chama-se pragmatismo, a traição chama-se realismo.
  • Os pobres chamam-se carentes ou pessoas de escassos recursos.
  • A expulsão das crianças pobres do sistema educativo é conhecida sob o nome de deserção escolar.
  • O direito do patrão de despedir o operário sem indenização nem explicação chama-se flexibilização do mercado de trabalho.
  • A linguagem oficial reconhece os direitos das mulheres entre os direitos das minorias, como se a metade masculina da humanidade fosse a maioria.
  • Ao invés de ditadura militar, diz-se processo.
  • Quadro de Fernando Botero. As torturas chamam-se pressões ilegais, ou também pressões físicas e psicológicas.
  • Quando os ladrões são de boa família, não são ladrões e sim cleptomaníacos.
  • O saqueio dos fundos públicos pelos políticos corruptos responde pelo nome de enriquecimento ilícito.
  • Chamam-se acidentes os crimes cometidos pelos automóveis.
  • Para dizer cegos, diz-se deficientes visuais, um negro é um homem de cor.
  • Onde se diz longa e penosa enfermidade deve-se ler câncro ou AIDS.
  • Doença repentina significa enfarte, nunca se diz morte e sim desaparecimento físico.
  • Tão pouco são mortos os seres humanos aniquilados nas operações militares.
  • Os mortos em batalha são baixas, e as de civis que a acompanham são danos colaterais.
  • Em 1995, quando das explosões nucleares da França no Pacífico Sul, o embaixador francês na Nova Zelândia declarou: "Não me agrada a palavra bomba, não são bombas. São artefactos que explodem".
  • Chamam-se "Conviver" alguns dos bandos que assassinam pessoas na Colômbia, sob proteção militar.
  • Dignidade era o nome de um dos campos de concentração da ditadura chilena e Liberdade a maior prisão da ditadura uruguaia.
  • Chama-se Paz e Justiça o grupo paramilitar que, em 1997, metralhou pelas costas quarenta e cinco camponeses, quase todos mulheres e crianças, no momento em que rezavam numa igreja da aldeia de Acteal, em Chiapas.


Eduardo Galeano




DOWNLOAD: ZAPP - 1980
http://www.4shared.com/file/26395785/71a938dd/_1980__Zapp_-_Zapp.htm






INTELECTUAIS APOLÍTICOS


Um dia,

os intelectuais
apolíticos
do meu país
serão interrogados
pelo homem
simples
do nosso povo

Serão perguntados
sobre o que fizeram
quando
a pátria se apagava
lentamente,
como uma fogueira frágil,
pequena e só.

Não serão interrogados
sobre os seus trajes,
nem acerca das suas longas
siestas
após o almoço,
tão pouco sobre os seus estéreis
combates com o nada,
nem sobre sua ontológica
maneira
de chegar às moedas.
Ninguém os interrogará
acerca da mitologia grega,
nem sobre o asco
que sentiram de si,
quando alguém, no seu fundo,
dispunha-se a morrer covardemente.
Ninguém lhes perguntará
sobre suas justificações
absurdas,
crescidas à sombra
de uma mentira rotunda.
Nesse dia virão
os homens simples.
Os que nunca couberam
nos livros e versos
dos intelectuais apolíticos,
mas que vinham todos os dias
trazer-lhes o leite e o pão,
os ovos e as tortilhas,
os que costuravam a roupa,
os que manejavam os carros,
cuidavam dos seus cães e jardins,
e para eles trabalhavam,
e perguntarão,
"Que fizestes quando os pobres
sofriam e neles se queimava,
gravemente, a ternura e a vida?"

Intelectuais apolíticos
do meu doce país,
nada podereis responder.

Um abutre de silêncio vos devorará
as entranhas.
Vos roerá a alma
vossa própria miséria.
E calareis,
envergonhados de vós próprios.


Otto Rene Castillo





DOWNLOAD: THE BAD BOOGALOO
- NU YORICAN SOUNDS - 1966~1970
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Brutalidade & violência na ação do estado brasileiro contra nativos durante desocupação de terras em Manaus dia 11 de março de 2008. Um massacre que dura mais de 500 anos e só terminará quando os nativos forem extintos. Confrontar a ação nociva do estado sobre a natureza de todo o país (e em especial da Amazônia) e a forma harmoniosa com a qual viveram os nativos ao longo de milênios nos deixa uma noção muito clara de quem deveria ter alguma legitimidade na exploração e administração dos recursos naturais.

Vemos de um lado uma horda de dezenas de brutamontes armados agindo a mando de um representante do elitista e muitas vezes corruptível poder judiciário (neste caso agindo em favor do latifundiário), empregando violência excessiva e investindo brutalmente contra mulheres e crianças. Do outro lado temos grupos de miseráveis violados em quase todos os seus direitos, muitas vezes manipulados por interesses políticos que desconhecem, tentando lutar por alguma dignidade.








1.
A biotecnologia apresenta mais um apavorante cenário supernatural. No entanto, comida Frankenstein e bebês de seis dedos por pé (ou qualquer possível fracasso da manipulação genética) me assustam muito menos do que seus atuais êxitos. Em um mundo no qual toda decisão feita pela ciência é (pré-)determinada por interesses monetários, tem-se um mundo no qual a ciência e a humanidade não têm sequer um interesse em comum. Quem, exatamente, será "beneficiado" com o iminente fim da reprodução humana tal como a conhecemos? Quais 3% do mundo vão se parecer com estrelas de cinema/TV (que já se parecem com mutantes) – e quais 97% se assemelharão a graduados fracassados da Escola do Terror de Chernobyl?

E por que os americanos parecem se importar tanto com a propriedade de cada pedaço de música gravada (gravações que nada mais são do que tumbas digitais de performances uma vez vivas) e tão pouco com a propriedade do "copyright intelectual" do DNA do, digamos, arroz? A bioengenharia aliada ao Capital Puro já remodelou nossa realidade viva; as "aplicações assassinas" e "genes terminais" são meros detalhes. Este é o futuro; estamos vivendo nele agora. E nenhum escritor de ficção científica o previu.


2. Nada está acontecendo. O que você vê acontecendo é o que está efetivamente acontecendo – isto é, nada. Nenhuma conspiração, nenhuma profundidade, nenhuma ilusão. Não há nada escondido, nenhum dado deixa de ser processado. Toda a informação, todo o tempo; superfície infinita e profundidade micrônica. Toda a luz, nenhuma sombra.

O intermediário para esse êxtase de informação é, claro, a mídia. Unificada em escala global pela primeira vez desde que a escrita foi inventada, toda a mídia – TV, rádio, cinema, internet, educação, música – propaga a mesmice, a mesma avidez histérica por um ainda menos sedutor fetichismo, a mesma tela fina sobre um abismo de tédio. E o tédio em si é a débil cortina que mal contém nosso terror, nossa raiva, nossa vergonha. Fatias mais e mais finas.


3. O Primeiro Mundo e o Segundo Mundo fracassaram; o Capitalismo morreu no mesmo momento que o Comunismo. Apenas o Capital Puro sobrevive. Não há Terceiro Mundo e não há Terceira Via. De um lado, a humanidade; do outro, o dinheiro. Não se trata mais apenas de uma questão de mera tática. Conceitualmente isso é confrontação, estratégia, guerra.

Mas como se trava uma guerra contra entidades desencarnadas? Magia negra malasiana? Exorcismo? Provavelmente em vão. Poderia existir alguma forma de batalha passível de ser travada no plano invisível? Uma resposta em forma de guerrilha à Guerra Pura do Puro Capital? Uma estratégia, sim – mas qual?


4. Eu gostaria de fazer um apelo à teoria, o que de modo algum implica ideologia. "Theoria" originalmente significa "visão" e inclui tanto vista como "experiência visionária". Desde a decadência da pós-desconstrução, do pós-modernismo e do pós-tudo o mais, a teoria caiu em maus lençóis. A teoria requer agora loucura psicotrópica e espontaneidade. A teoria precisa, sobretudo, clarear a questão do Capital, e este é um trabalho de negação.

Enquanto isso, como encerramento, uma saudação ao fazendeiro francês José Bové. Ele fez mais pela causa ao dirigir seu trator Mc Donald’s adentro do que todas as webpages e todas as ONGs juntas.


Hakim Bey





DOWNLOAD: YUSEF LATEEF - THE DOCTOR IS IN... AND OUT - 1972 - VBR
http://www.divshare.com/download/2942488-5bc



A POESIA

feliz por viajar e ver o mundo em câmera lenta,
apenas para tocar as notas mínimas que flutuam.
mundo girando (órbita) mais rápido que um 9/8 de Dave Brubeck, nós
estamos agora buscando de forma frenética as aldeias de arco-íris
de Thomas More.
de repente sobre Charlie Mingus e Ahmed Abdul-Malik para adicionar o baixo a uma cova sem fundo de insegurança, você
pode ser de plástico porque
nunca medita sobre o fundo do copo,
o terceiro lado do seu universo.
Continue adicionando
Alice Coltrane e suas cordas cósmicas, ainda sem vocal nos horizontes negros-azuis/sua plasticidade é testada por um ataque sem forma: THE SUN pode responder as perguntas
no ritmo do silêncio sacrificial/mas por que a nossa nova era do jazz não nos daria mais enigmas em expansão?
(Entra John) atingido por baixo sempre e nunca para que a manhã (SUN) possa gritar com saxofones que entortam o cérebro.
O terceiro mundo chega com Yusef Lateef e Pharoah Sanders com oboés esforçando-se pra tocar o âmago de sua alma desconhecida. Ravi Shankarr vem
com as cordas presas/preparadas para estabilizar
o seu sétimo sentido (Ritmo Negro!)
subindo e descendo uma escada estúpida passam as notas sem
as palavras. Palavras são importantes para a mente/as notas o são para a alma.
Miles Davis? E DAÍ?
Cannonball/Violinista/Compaixão
Dexter Gordon/UM degrau ACIMA
Donald Byrd/Cristo
mas e quanto às palavras?
você quer sobreviver na tristeza/peça a ajuda de
Ella e José Feliciano/
faça um passeio com
Smoky/Bill Medley/Bobby Taylor/
Ottis/soul music onde as frustrações são
levadas pelos tambores - Venham, Nina e Miriam -
congo/mongo me fazem perder o sentido
bongo/tonto - correm por mundos de sonho de
STP e LSD. SpEeD e algumas/vezes o chamado da música aos Negros é confuso. nossa velocidade é o nosso ritmo de vida/não é seguro/não é bom.
eu imploro que você escape
e viva
e ouça tudo o que é real. para sobreviver em um
segundo sincero do próprio eu
até que um chamado chegue até você para tentar em outro lugar.
Nós
todos temos que chorar, mas as lágrimas têm que ser brancas?


Gil Scott-Heron




DOWNLOAD: BILL WITHERS - STILL BILL - 1972 - 256Kbps








Não me preocupo muito com o governo, e quero dedicar a ele o menor número possível de reflexões. Mesmo no mundo tal como é agora, não passo muitos momentos sujeito a um governo. Se um homem é livre de pensamento, livre para fantasiar, livre de imaginação, de modo que aquilo que nunca é lhe parece ser na maior parte do tempo, governantes ou reformadores insensatos não são capazes de lhe criar impedimentos fatais.


Henry David Thoreau








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O DIREITO DE IGNORAR O ESTADO


























Se todo homem tem a liberdade de fazer o que desejar, desde que não infrinja a igual liberdade de qualquer outro homem, então ele é livre para abandonar ligações com o estado — para recusar sua proteção e para se negar a custear seu suporte. É evidente que, ao agir dessa forma, ele de forma alguma agride a liberdade dos outros, pois sua posição é passiva, e, enquanto passivo, ele não pode se tornar um agressor. É igualmente evidente que ele não pode ser compelido a continuar a fazer parte de uma corporação política sem uma transgressão da lei moral, vendo que a cidadania envolve o pagamento de impostos; e tirar a propriedade de um homem contra sua vontade é uma violação de seus direitos.

Além disso, de fato, nós não vimos que o governo é essencialmente imoral? Não é ele o descendente do mal, trazendo todas as marcas de sua origem? Ele não existe porque o crime existe? Ele não é forte — ou, como dizemos, despótico — quando o crime é grande? Não há mais liberdade — isto é, menos governo — quando o crime diminui? E não deve o governo cessar quando cessa o crime, pela própria falta de objetos sobre os quais executar sua função? O poder autoritário não existe apenas por causa do mal, mas através do mal. A violência é empregada para mantê-lo, e toda violência envolve criminalidade. Soldados, policiais e carcereiros; espadas, cassetetes e correntes são instrumentos para infligir dor; e toda inflição de dor é, em abstrato, errada. O estado emprega armas más para subjugar o mal e é igualmente contaminado pelos objetos com o qual lida e pelos meios com o qual trabalha.


Herbert Spencer
Leia aqui o ensaio na íntegra




DOWNLOAD: ARRESTED DEVELOPMENT -
3 YEARS, 5 MONTHS AND 2 DAYS INTHE LIFE OF... - 1992 - 320Kbps
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Na Pérsia eu vi que a poesia é feita para ser musicada & cantada – por uma razão simples – porque funciona.

Uma combinação perfeita de imagem & melodia coloca o público num hal (algo entre um estado de espírito emocional/estético & um transe de supraconsciência), explosões de choro, impulsos de dança – uma mensurável resposta física à arte. Para nós, a ligação entre poesia & corpo morreu junto com a época dos bardos – lemos sob influência de um gás anestesiante cartesiano.

No Oriente, às vezes os poetas são presos – uma espécie de elogio, já que sugere que o autor fez algo tão real quanto um roubo, em estupro ou uma revolução. Aqui, os poetas podem publicar qualquer coisa que quiserem – o que em si mesmo é uma espécie de punição, uma prisão sem paredes, sem eco, sem existência palpável – reino de sombras do mundo impresso, ou do pensamento abstrato – um mundo sem risco ou erros.

Se os legisladores se recusam a considerar poemas como crimes, então alguém precisa cometer os crimes que funcionem como poesia, ou textos que possuam a ressonância do terrorismo. Reconectar a poesia ao corpo a qualquer preço. Não crimes contra o corpo, mas contra Idéias (& Idéias-dentro-das-coisas) que sejam letais & asfixiantes. Não libertinagem estúpida, mas crimes exemplares, estéticos, crimes por amor.


Hakim Bey




DOWNLOAD: FANGA - AFROKALIPTYK - 2003

EXÉRCITO: A INSTITUIÇÃO MAIS REPUGNANTE JAMAIS CRIADA NO PLANETA













Tenho a sorte de não ter ido nunca à tropa. Jamais na minha vida toquei um fuzil nem pude superar a minha repugnância assombrosa pela cor dos uniformes. A única vez que matei alguma coisa eu tinha sete anos. Ia com um tio meu e um irmão maior; eu levava uma escopeta que errou sempre. O meu irmão matou dois tristes birulicos que logo nem comemos, e durante muitas horas depois senti uma espécie de oco na cabeça, como uma pergunta essencial, humana, libertária, sobre a inutilidade dessas mortes. A morte inútil de dois pássaros é o começo da barbárie.
O exército começa na violência inútil contra dois pássaros, na bofetada injusta de um pai em uma criança. O exército começa na ordem militar das famílias, no imperativo urgente dum homem que chega escravizado, e logo o exército cresce dentro de nós, como uma geometria inapelável, e estende-se ao domínio sexual, à violação, às discussões autoritárias, o exército estende-se ao trabalho onde reproduzimos uma hierarquia celestial, às aulas das universidades, às monarquias, a deus. E logo, quando já o exército contamina quotidianamente a alma e o cérebro, quando já assassinou a utopia com que nascemos e que algum dia havemos recobrar, então é singelo dar-lhe um uniforme, vesti-lo de verde, pôr-lhe um nome e um adjetivo, e acolhê-lo entre nós como se fosse natural e não uma trama dos poderosos e sua consciência para impedir a liberdade.

O exército não é só a instituição mais repugnante jamais criada no planeta: o exército é uma atitude, uma cultura, uma maneira de destruir as coisas. O grau de sofisticação dos instrumentos de destruição e morte é algo tão horrível que só nos pode levar a duvidar do sentido do universo. Há armas que estragam por dentro, deixando cavidades irreparáveis na epiderme. Há armas de metal pequeno que furam os caminhos harmônicos do corpo deixando ao sair rastros vermelhos e retalhos de carne. Há armas que estouram ao pisá-las, semeando orgãos sangrentos nas areias naturais. Há armas que matam lentamente: na sua agonia atômica o corpo perde a pele e os cabelos e acaba a vida entre vômitos vazios, impotentes. Há armas que matam muitos anos depois, de câncro e de cegueira. Há armas que deixam mapas queimados na pele, como macabras metáforas dos territórios ocupados: a Beira Oeste, a Faixa de Gaza, Irlanda. Há armas que asfixiam e armas que desmembram. E há armas que assassinam legalmente nas câmaras esterilizadas dos presídios, armas que eletrocutam com consenso, armas policiais que derrubam sujos ladrões urbanos na cumplicidade da noite, armas de álcool legitimado, armas de poderosas seringas, armas de palavras que insultam aos que falam ou escrevem diferente, armas anatômicas que violam meninas de dois anos, armas de tinta que assinam execuções e masculinas leis injustas.

Contra esta barbárie, contra este épico da morte, só nos cabe a insubmissão ativa. A insubmissão não é um ato político: é uma atitude, uma necessidade, uma aposta pela utopia que querem esmagar por lhes dar medo. Porque dá medo imaginar um lugar comum onde perdamos a noção do ser e da história e onde sejamos apenas a extensão humana do azar, outra forma da matéria, cada um na sua carne e tocando a dos outros, no território sem poder que levará sempre a espécie humana à inteligência. A insubmissão é mais do que uma náusea por matar: é a necessária revolta contra esta epopéia de miséria. Poderão desaparecer as castas militares. Poderemos aprender a controlar-nos mutuamente, sem pistolas, no consenso. Poderemos fingir que chegamos já ao limite da igualdade. Mas, enquanto existirem os presídios, as favelas, os bairros crematórios, enquanto existir uma fronteira real, existirá o exército.


Celso Alvarez Cáccamo




DOWNLOAD: MONEY MARK - MARK'S KEYBOARD REPAIR - 1995 - 192Kbps





UMA MENTIRA


Até há pouco a grande mídia brindava-nos, a cada dia, com números alegres sobre a luta internacional contra a pobreza. A pobreza estava batendo em retirada, ainda que os pobres, mal informados, não soubessem da boa notícia. Os burocratas mais bem pagos do planeta confessam, agora, que os mal informados eram eles. O Banco Mundial divulgou a atualização do seu International Comparison Program.

Ali os peritos corrigiram alguns erros dos relatórios anteriores. Entre outras coisas, sabemos agora que os pobres mais pobres do mundo, os chamados "indigentes", somam 500 milhões a mais do que aparecia nas estatísticas. Além disso, sabemos que os países pobres são bem mais pobres do que aquilo que diziam os números e que a sua desgraça piorou enquanto o Banco Mundial lhes vendia a pílula da felicidade do mercado livre. E como se isso fosse pouco, verifica-se que a desigualdade universal entre pobres e ricos havia sido mal medida e à escala planetária o abismo é ainda mais fundo que o do Brasil.


E UMA VERDADE

Bush vivia seus primeiros tempos na presidência quando, em 27 de Julho de 2001, perguntou aos seus compatriotas:

— Vocês podem imaginar um país que não fosse capaz de cultivar alimentos suficientes para alimentar a sua população? Seria uma nação exposta a pressões internacionais. Seria uma nação vulnerável. E por isso, quando falamos da agricultura americana, na realidade falamos de uma questão de segurança nacional.

Dessa vez o presidente não mentiu. Ele estava defendendo os fabulosos subsídios que protegem o campo do seu país. "Agricultura americana" significava "Agricultura dos Estados Unidos".

Contudo, é o México, outro país americano, o que melhor ilustra os seus acertados conceitos. Desde que firmou o tratado de livre comércio com os Estados Unidos, o México já não cultiva alimentos suficientes para as necessidades da sua população, é uma nação exposta a pressões internacionais e é uma nação vulnerável, cuja segurança nacional corre grave perigo:
- atualmente o México compra dos Estados Unidos 10 bilhões de dólares em alimentos que poderia produzir;
- os subsídios protecionistas tornam impossível a competição;
- nesse ritmo, daqui a pouco as tortillas mexicanas continuarão sendo mexicanas pelas bocas que as comem, mas não pelo milho que as faz, importado, subsidiado e transgênico;
- o tratado havia prometido prosperidade comercial, mas a carne humana, camponeses arruinados que emigram, é o principal produto mexicano de exportação.

Há países que sabem se defender. São poucos. Por isso são ricos. Há outros países treinados para trabalhar para a sua própria perdição. São quase todos os demais.


Eduardo Galeano
Leia aqui o artigo na íntegra, com mais duas mentiras.




DOWNLOAD: RAS MICHAEL & THE SONS OF NEGUS
- DADAWAH PEACE & LOVE - 1975 - 256 Kbps
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DOWNLOAD: GIL SCOTT-HERON - GHETTO STYLE

TERRORISMO MIDIÁTICO



  • Quando criança, assistia a uma série do Super-Homem no balcão do cinema Boyacá quando alguém gritou que saía fumaça da tela. Centenas de pessoas investiram rumo às portas, apesar de não haver qualquer fumaça.
  • Numa Sexta-feira Santa, na basílica de Santa Teresa, alguém gritou que uma vela havia incendiado um véu. Houve mortos e centenas de feridos, apesar de não se ter encontrado nenhum trapo chamuscado.
  • Em 1939 Orson Welles difundiu pela rádio que os marcianos invadiam a Terra. Centenas de milhares de americanos fugiram em pânico pelas ruas, apesar de nem a polícia nem o exército terem localizado um só extra-terrestre.
  • Em 2002 George W. Bush jurou que Sadam Hussein acumulava armas de destruição maciça. Para impedi-lo mandou matar mais de um milhão de iraquianos, ainda que de bomba atômica não se tenha encontrado o mínimo sinal.
  • Pelo exposto, o leitor verifica que o risco inexistente anunciado pode causar mais danos que o perigo real efetivo. Se o terrorismo for a manipulação de condutas mediante a difusão de ameaças de uma violência ou um dano ilegítimo, o terrorismo é uma operação midiática.
  • Se o terrorismo for midiático, a midia pode ser terrorista. Quando há um terrorismo de Estado, as maiores potências potenciam o maior terrorismo.
  • A mídia apresenta o terrorista como membro de uma pequena seita que ocasionalmente atenta contra os grande poderes da terra. Ocultam que os grandes poderes da terra são uma seita colossal que se mantém graças ao exercício permanente do terror.
  • O setor terciário, que ocupa mais de 60 por cento das economias dos países desenvolvidos, compreende indústrias que manipulam representações e signos com o intuito de gerenciar o pânico generalizado. Finanças e seguros estimulam a poupança como prevenção contra a miséria, moda e cosméticos exploram o horror ao envelhecimento e à solidão; o governo imperial legitima seus atropelos como prevenção contra a agressão interna e externa; a publicidade e as comunicações multiplicam suas mensagens como arautos e panacéias do espanto.
  • Recordemos que a comunicação global é monopolizada por cinco transnacionais. Tenhamos em conta que a mídia capitalista defende o capitalismo tanto por sua condição de negócio como porque existem graças à publicidade que os negócios lhes proporcionam.
  • Admitamos que o capitalismo subordina toda consideração de ética e de veracidade ao lucro. Concluamos que a sua mídia subordina ao lucro toda consideração de veracidade e de ética.
  • A primeira operação do terrorismo midiático é a culpabilização da vítima. A grande potência terrorista acusa de terrorista o pequeno país invadido; o Estado terrorista classifica como terrorista o insurgente que lhe resiste; a transnacional saqueadora desestabiliza o governo que não se submete a ela.
  • O terrorismo procura, mais do que causar pânico ou dor na população, infundir-lhe o convencimento de que as autoridades não podem nem prevenir, nem impedir nem emendar um dano anunciado. O terrorismo persegue o assassinato simbólico de uma ordem como prelúdio ao assassinato real dos seus integrantes.
  • A inércia ou a falta de resposta completa a convicção de que as autoridades estão derrotadas ou perderam a capacidade ou a vontade de defender-se. Quando a população se convence disso, corta-se o vínculo entre governante e governado, e para todos os efeitos o governo deixa de existir.
  • Governo que não for para além do terrorismo midiático é enviado pelo terrorismo midiático para o além.

Luis Britto García



DOWNLOAD: LEFTIES SOUL CONNECTION
- HUTSPOT - 2006
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DOWNLOAD: LEFTIES SOUL CONNECTION
- SKIMMING THE SKUM - 2007
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FODA-SE O TRABALHO



o relógio estava funcionando, velho despertador. deus o abençõe, quantas vezes olhei para ele às sete e meia da manhã, manhãs de ressaca, e disse foda-se o trabalho? foda-se o trabalho!

Charles Bukowski


MENSAGEM AO PAPA





Não és tu o confessionário, oh Papa! Somos nós; compreende-nos, e que os católicos nos compreendam.

Em nome da pátria, em nome da família, incentivas a venda das almas e a livre trituração dos corpos.

Temos, entre nós e nossas almas, suficientes caminhos para percorrer, suficientes distâncias para que neles se interponham os teus sacerdotes vacilantes e esse amontoado de doutrinas das quais se nutrem todos os castrados do liberalismo mundial.

Teu deus católico e cristão que, como todos os demais deuses, concebeu todo o mal:

1. Tu o meteste no bolso.

2. Nada temos a fazer com teus cânones, índex, pecados, confessionários, padralhada.

Pensamos em outra guerra, uma guerra contra ti, Papa, cachorro.

Aqui o espírito se confessa ao espírito. Não há deus, bíblia ou evangelho, não existem palavras que possam deter o espírito. Não estamos no mundo. Oh Papa confinado no mundo! Nem a terra, nem deus falam de ti.

O mundo é o abismo da alma! Papa caquético, Papa alheio à alma. Deixe-nos nadar em nossos corpos, deixe nossas almas em nossas almas. Não precisamos de tua espada de claridades.


Antonin Artaud




DOWNLOAD: ORGONE - THE KILLION FLOOR - 2007 - VBR







DOWNLOAD: FELA KUTI & THE AFRICA 70 - SHAKARA - 1972 - 224 Kbps
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Somos em verdade uma raça de cegos e a geração seguinte, cega à sua própria cegueira, se assombrará com a nossa.



L.L. White












DOWNLOAD: DIGABLE PLANETS -
REACHIN' (A NEW REFUTATION OF TIME AND SPACE) - 1993 - 192 Kbps
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ANARCO PRIMITIVISMO


1. Existe uma profunda crise em todos os níveis: individual, social, ambiental. O câncer do capitalismo tecnológico está se expandindo com um impacto devastador.

2. Liberalismo, esquerdismo, pacifismo são faces de uma falida pseudo-oposição à ordem dominante. A única oposição radical é a anarquia.

3. A anarquia é cada vez mais militante. Se nós e o planeta desejamos sobreviver e nos tornar livres, devemos quebrar as regras e revidar.

4. A anarquia é cada vez mais primitivista. Sabemos que a tecnologia não é "neutra", e incorpora o sistema sugador de vidas que está nos cercando. A civilização, que é baseada na divisão de trabalho e na domesticação, também deve ser abolida. Sua lógica absurda tem nos levado para a atual condição de vazio, destruição e neurose generalizada.

5. Nosso objetivo é uma comunidade não-hierárquica e face a face. Todo obstáculo para tal deve ser removido. Um grande desmantelamento é necessário para que a natureza e cada individuo sejam honrados. A descentralização completa é o objetivo.

6. Tecnologia e capital voltados a uma monocultura massificada que escraviza toda vida. Produção em massa, fábrica, especialização, pensamento separatista são parte do problema, e não da solução.

7. Livre associação, autonomia, transparência, espontaneidade, comunhão com a natureza, diversão, criatividade são requisitos para uma existência saudável e livre. Produtividade, hierarquia, coerção, trabalho, consciência de tempo não.

8. Se nossa missão e nossa visão parecem loucura, quão mais louco é não fazer nada efetivo para impedir a marcha mortal da compra e venda global? No futuro uma criança pode perguntar: "Como você deixou tudo isso chegar a esse ponto? O que você fez para parar?"

9. A infelicidade generalizada clarifica as mentiras e condicionamentos que impregnam este sistema sem futuro. Um diálogo aberto entre todos é essencial.

10. Voto, programas de reciclagem, reformismo e protestos não têm conseguido realmente nada. Tem de haver um rompimento qualitativo com a mega-máquina.


De que lado você está?



John Zerzan - Anarchist Action Collective



DOWNLOAD: SONIC YOUTH - DIRTY (DELUXE EDITION) - 1993 - DUPLO
disco 1: http://www.mediafire.com/?iuna4cdg7uy
disco 2: http://www.mediafire.com/?98d5c4l9zte

DESOBEDIÊNCIA CIVIL II





A Desobediência civil é uma forma particular de desobediência, pois é executada com o fim imediato de mostrar publicamente a injustiça da lei e com o fim mediato de induzir o legislador a mudá-la. Chama-se civil precisamente porque quem a pratica acha que não comete um ato de transgressão do próprio dever de cidadão, julgando, bem ao contrário, que está se comportando como bom cidadão naquela circunstância particular que pende mais para a desobediência do que para a obediência.

Entre cidadão e legislador haveria uma relação de reciprocidade: se é verdade que o legislador tem direito à obediência, também é verdade que o cidadão tem o direito de ser governado com sabedoria.

A expressão "Desobediência civil" entrou no uso corrente pelo ensaio clássico "Civil disobedience" (1849) de Henry David Thoreau, no qual o escritor americano declara recusar o pagamento das taxas ao governo que as emprega para fazer uma guerra injusta (a guerra contra o México), afirmando: "a única obrigação que eu tenho o direito de assumir é a de eu fazer em cada circunstância o que eu acho justo" . Depois, perante a conseqüência do próprio ato que poderia levá-lo à prisão, responde: "Num governo que prende injustamente qualquer pessoa, o verdadeiro lugar para um homem justo é a prisão".

Em sentido próprio, a Desobediência civil é apenas uma das situações em que a violação da lei é considerada como eticamente justificada por quem a cumpre ou dela faz propaganda. Trata-se de situações que habitualmente são compreendidas pela tradição dominante da filosofia política sob a categoria do direito à resistência.



Norberto Bobbio, excertos do ensaio Desobediência Civil





DOWNLOAD: DJ KRUSH - CODE 4109 - 2000
http://emedia.art.sunysb.edu/debt/music/Dj%20krush/Code%204109/







A humanidade encontra-se numa crise econômica e social de dimensão sem precedentes, o que tem levado grandes setores da população mundial ao rápido empobrecimento. Economias nacionais entram em colapso, a fome irrompe na África subsaariana, no sul da Ásia e em regiões da América Latina. Esta "globalização da pobreza" começou nos países subdesenvolvidos, junto com a crise do endividamento no início dos anos 80 e a imposição das fatais reformas econômicas do FMI.

A nova ordem mundial alimenta-se da pobreza humana e da destruição do ambiente natural. Gera o apartheid social, encoraja o racismo e o conflito étnico, corrói os direitos das mulheres e precipita freqüentemente os países num confronto destrutivo entre as nacionalidades.

Esta crise mundial é mais devastadora do que a grande depressão dos anos 30. Tem conseqüências geopolíticas muito mais alargadas; a deslocalização econômica também tem sido acompanhada da explosão de guerras regionais, da fratura de sociedades nacionais e nalguns casos da destruição de países inteiros. Esta é de longe a crise econômica mais grave da história moderna.


Michel Chossudovsky




DOWNLOAD: RONNIE FOSTER - TWO HEADED FREAP - 1972
http://www.mediafire.com/?frp4dwgzzxv









DOWNLOAD: NYMPHOMANIA

GANA & HIPLIFE


Hiplife é o nome dado ao RAP que vem das ruas de Gana. O termo deriva de suas duas principais raízes: o Hip Hop, nascido nos EUA dos anos 70, e o Highlife, gênero musical original de Gana, surgido nos anos 20 e caracterizado pela fusão de ritmos nativos africanos com a música das Brass Bands européias, hinos Gospel, Jazz e uma certa atmosfera Caribenha. São considerados representantes do Highlife nomes como Osibisa, E.T. Mensah , Koola Lobitos (banda liderada por Fela Kuti) e Koo Nimo. O Highlife é a principal e mais popular música feita em Gana nos últimos 100 anos.

O Hiplife se desenvolveu a partir do meio dos anos 90 e traz também influências de Junkanoo Riddim, Dancehall, Ragga, Soul, música Indiana e outros ritmos africanos, como Jama e Kpanlogo. É cantado em diversas línguas, passando por Inglês, Twi, Ga, Patois, Hausa e Pidgin. O MC Regie Rockstone é considerado o pioneiro do Hiplife e divide com Obrafour o status de mais importantes representantes do gênero. Também se destacam: VIP, Buk Bak, Azigiza, Tic Tac, Ded Buddy, Ambassadoz, Kwaku T, Naksei, Tinny, Lord Kenya, Obour, Akyeame, Deeba, Akatakyie, Omanhene Pozoh, Black Monkz, Th4Kwages, Obomofo, Kontihene, Okomfo Kwaadee, K. K. Fosu, Batman Samini, Madfish, Castro da Destroyer, Kwaw Kese, Antwi ne Antwi, 4x4 e Mr. Borax.

They are modern ghanaians.


+ info:

Hiplife Videos
The Hiplife History
Hiplife @ Internet Archive




DOWNLOAD: BLACK STARS - GHANA'S HIPLIFE GENERATION - 2008 - VBR
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A DOUTRINA DO CHOQUE



A doutrina do choque, como todas as doutrinas, é uma filosofia de poder. É uma filosofia sobre como conseguir seus próprios objetivos políticos e econômicos. É uma filosofia que sustenta que a melhor maneira, a melhor oportunidade para impor as idéias radicais do livre-mercado é no período subseqüente ao de um grande choque. Esse choque poder ser uma catástrofe econômica. Pode ser um desastre natural. Pode ser um ataque terrorista. Pode ser uma guerra. Mas, a idéia é que essas crises, esses desastres, esses choques abrandam a sociedades inteiras. Deslocam-nas. Desorientam as pessoas. E abre-se uma ‘janela’ e a partir dessa janela se pode introduzir o que os economistas chamam de ‘terapia do choque econômico’. É uma espécie de extrema cirurgia de países inteiros. E tudo de uma vez. Não se trata de uma reforma aqui, outra por ali, mas sim uma mudança de caráter radical como o que vimos acontecer na Rússia nos anos noventa, o que Paul Bremer procurou impor no Iraque depois da invasão. De modo que é isso a doutrina do choque. E não significa que apenas os direitistas em determinada época tenham sido os únicos que exploraram essa oportunidade com as crises, porque essa idéia de explorar uma crise não é exclusividade de uma ideologia em particular. Os fascistas também se aproveitaram disso, os comunistas também o fizeram.

Naomi Klein



DOWNLOAD: ORGANISATION - TONE FLOAT - 1970 - 192Kbps
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Não basta enterrar o capitalismo, é preciso sepultá-lo virado com a barriga pra baixo.
Para que, caso queira sair, se enterre mais ainda.


Don Durito de la Lacandona



DOWNLOAD: DONALD BYRD - BLACK BYRD - 1972 - 320 Kbps
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"Respeito à lei", este é o cimento que mantém a estrutura do Estado.
"A lei é sagrada e aquele que a desafia é um criminoso".
Sem crime não haveria Estado: o mundo da moral - ou seja, o Estado - está cheio de vagabundos, mentirosos, ladrões.



Max Stirner



DOWNLOAD: BRICK - GOOD HIGH - 1976 - 256 Kbps
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A POLÍTICA GENOCIDA DO ESTADO










Entrevista concedida pela professora de História da PUC-SP, Vera Lúcia Vieira, à Agência Notícias do Planalto. Ela é uma das responsáveis pelo estudo intitulado “Observatório das Violências Policiais – SP”.





Como se dá a atuação policial como ferramenta repressora do Estado? Em que situações ela entra em cena, segundo o seu estudo?

Vera Lúcia Vieira: A violência da polícia atuando nas pessoas é de tal ordem que mostra, na verdade, que o Estado é violento. Há uma violência institucionalizada. As demandas sociais são criminalizadas e a ação da polícia atua como se estas pessoas que expressam suas necessidades fossem todas criminosas. O índice de mortes por suspeição é uma coisa absurda. Uma suspeição baseada em olhou para a pessoa, achou que ela era suspeita e matou. Achou que a atitude dela era suspeita e matou. E matam vários. Não matam um ou dois. E quando você consolida os dados, levanta informações, você percebe que tipo de pessoas são as mais suspeitas. São as pessoas pobres e negras e que moram nos bairros mais afastados, que se chamam equivocadamente de periferia. Além do que você tem uma categoria que é a impunidade. As pessoas que cometem estes assassinatos estão fazendo isso com o respaldo da legalidade. Então você tem um preconceito que é consolidado nesta ação institucionalizada porque esta polícia não está agindo assim a troco de nada. Ela tem uma orientação, uma diretriz. Isso é uma política que está sendo implantada.


Qual seria a orientação do Estado para a atuação destes policiais?

VLV: Eu entendo que isto é uma concepção de política. Se você considera que a contravenção social, ou a suspeição, porque aí não se trata nem contravenção social, é uma questão de suspeição. Você orienta a polícia a dizer que ela tem o direito de prender, ou bater, ou matar alguém que tenha alguma atitude suspeita. Esteja ela no horário de trabalho ou fora dele. Isso é uma determinada concepção de política que expressa uma filosofia sobre a coisa pública. Significa que você acha que a violência é um problema da população, que está posta na pessoa. É uma concepção de vida, uma filosofia que está conduzindo esta política que é totalmente preconceituosa, que não reconhece nem considera os fatores de exclusão social, de desemprego e de não acesso aos benefícios sociais e ao que se produz socialmente. Você culpabiliza o pobre pela sua pobreza e se exime de uma análise mais profunda e de tomar decisões que possam vir a resolver de fato os problemas de exclusão social - ou minimizar tais problemas. Não se atua neste sentido, não há nenhuma política que atue neste sentido, pelo contrário, você culpabiliza o pobre e torna-o suspeito de uma agressão, muitas vezes infundada, apenas pela sua condição de pobreza. Eu acho que é uma política de genocídio.


No decorrer dos estudos, em princípio, ficou questionada a questão da democracia. Qual a conclusão sobre o tema?

VLV: Depois de muitos estudos, muitas reflexões e lendo bastante, nós não temos na realidade uma democracia, nós temos uma autocracia. Porque se nós considerarmos que a democracia é um governo do povo, com o povo, para o povo, pegando esta acepção mais clássica da palavra, e nós temos todo um Estado organizado que atende apenas aos interesses de alguns, um Estado ao qual a maior parte da população não tem acesso, cujos benefícios não existem. Quando o acesso às condições básicas que dizem respeito às coisas públicas, como educação, saúde, habitação, transporte, não são desenvolvidas para que toda a sociedade, que paga os impostos de forma direta e indireta, possa usufruir, nós não temos então uma democracia. A democracia acabou se resumindo a uma questão de apenas votar e delegar ao outro, que vai tomar decisões no seu lugar. Em geral, a sua demanda nem é ouvida. O que você tem é a polícia vindo em cima de você. Então, que Estado democrático é este, que sociedade é esta que nós temos em que as coisas se colocam desta forma?




DOWNLOAD: KISSEY ASPLUND - PLETHORA - 2008
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O utopista


Ele acredita que o chão é duro
Que todos os homens estão presos
Que há limites para a poesia
Que não há sorrisos nas crianças
Nem amor nas mulheres
Que só de pão vive o homem
Que não há um outro mundo.


Murilo Mendes



DOWNLOAD: MIKEY DREAD - WORLD WAR III - 1980 - 128 Kbps
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À medida que o mundo moderno se faz mais complexo, todos os homens se tornam relativamente mais estúpidos em relação ao mundo, pois as suas sensibilidades não aumentam, não se alargam nem se fazem mais profundas de acordo com os acontecimentos; e, do mesmo modo, à medida que esses negócios do mundo se processam mais rapidamente, as correspondências sensoriais dos homens se atrasam. O mesmo acontece com as suas correspondências associativas (que são de ordem de sensibilidade superior) .



Walter Pitkin







DOWNLOAD: BECK - MELLOW GOLD - 1994







Era excelente antigamente: Cê botava tomando choque a madrugada toda, precisava punir não, choque e porrada. Aaahhhh! De manhã, ele estava enquadrado, entendeu? Com o orgulho até desencarnado. Infelizmente, é democracia, eu não posso fazer isso, tenho que seguir o rito legal. Vontade não me falta! Não me falta. Tortura! Pediu dez pratas pro polícia. Bota ele a noite inteira! Magnésio! Os mais novos não sabem nem o que é magnésio [eletrochoque]. Magnésio: segura uma ponta e uãaaaaa, treme que nem perereca! Como tá na democracia, eu só posso punir. Minha vontade, se tá na ditadura militar, é botar tomando choque elétrico a noite inteira. Meu sonho é voltar essa ditadura, ahhhhh!


Antonio Uostom Germano, Tenente-coronel comandante do Batalhão de Policiamento das Vias Especiais da Polícia Militar do Rio de Janeiro



DOWNLOAD: RARE FUNK LIBERATION - A SERIOUSLY RARE SET - 192 Kbps





DOWNLOAD: NITIN SAWHNEY - PHILTRE - 2005
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Aquele que não tem nenhuma confiança na capacidade criativa das massas e na capacidade delas se revoltarem é um filho de uma puta.



Sam Dolgoff









DOWNLOAD: SLY & THE FAMILY STONE - STAND! - 1969
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CARTA DO CACIQUE SEATTLE








O Grande Chefe de Washington mandou dizer que deseja comprar nossa terra. O Grande Chefe assegurou-nos também de sua amizade e sua benevolência. Isto é gentil de sua parte, pois sabemos que ele não necessita da nossa amizade. Porém, vamos pensar em tua oferta, pois sabemos que se não o fizermos o homem branco virá com armas e tomará nossa terra. O Grande Chefe em Washington pode confiar no que o chefe Seattle diz, com a mesma certeza com que os nossos irmãos brancos podem confiar na alteração das estações do ano. Minha palavra é como as estrelas. Elas não empalidecem.

Como podes comprar ou vender o céu - o calor da terra? Tal idéia nos é estranha. Nós não somos donos da pureza do ar ou do resplendor da água. Como podes comprá-los de nós? Decidimos apenas sobre o nosso tempo. Toda esta terra é sagrada para o meu povo. Cada uma folha reluzente, todas as praias arenosas, cada véu de neblina nas florestas escuras, cada clareira e todos os insetos a zumbir são sagrados nas tradições e na consciência do meu povo.

Sabemos que o homem branco não compreende o nosso modo de viver. Para ele um torrão de terra é igual a outro. Porque ele é um estranho que vem de noite e rouba da terra tudo quanto necessita. A terra não é sua irmã, mas sim sua inimiga, e depois de exauri-la, ele vai embora. Deixa para trás o túmulo do seu pai, sem remorsos de consciência. Rouba a terra dos seus filhos. Nada respeita. Esquece as sepulturas dos antepassados e os direitos dos filhos. Sua ganância empobrecerá a terra e vai deixar atrás de si os desertos. A vista de tuas cidades é um tormento para os olhos do homem vermelho. Mas talvez isto seja assim por ser o homem vermelho um selvagem que nada compreende.

Não se pode encontrar paz nas cidades do homem branco. Nem um lugar onde se possa ouvir o desabrochar da folhagem na primavera ou o tinir das asas dos insetos. Talvez por ser um selvagem que nada entende, o barulho das cidades é para mim uma afronta contra os ouvidos. E que espécie de vida é aquela em que o homem não pode ouvir a voz do corvo noturno ou a conversa dos sapos no brejo à noite?

Um indígena prefere o suave sussurro do vento sobre o espelho d'água e o próprio cheiro do vento, purificado pela chuva do meio-dia e com aroma de pinho. O ar é precioso para o homem vermelho, porque todos os seres vivos respiram o mesmo ar - animais, árvores, homens. Não parece que o homem branco se importe com o ar que respira. Como um moribundo, ele é insensível ao mau cheiro.

Se eu me decidir a aceitar, imporei uma condição. O homem branco deve tratar os animais como se fossem irmãos. Sou um selvagem e não compreendo que possa ser certo de outra forma. Vi milhares de bisões apodrecendo nas pradarias abandonados pelo homem branco, que os abatia a tiros disparados do trem. Sou um selvagem e não compreendo como um fumegante cavalo de ferro possa ser mais valioso do que um bisão que nós, indígenas, matamos apenas para sustentar a nossa própria vida. O que é o homem sem os animais? Se todos os animais acabassem, os homens morreriam de solidão espiritual, porque tudo quanto acontece aos animais pode afetar os homens. Tudo está relacionado entre si. Tudo quanto fere a terra fere também os filhos da terra.

Os nossos filhos viram seus pais humilhados na derrota. Os nossos guerreiros sucumbem sob o peso da vergonha. E depois da derrota passam o tempo em ócio, e envenenam o corpo com alimentos doces e bebidas ardentes. Não tem grande importância onde passaremos os nossos últimos dias - eles não são muitos. Mas algumas horas, até mesmo uns invernos, e nenhum dos filhos das grandes tribos que viveram nesta terra ou que tem vagueado em pequenos bandos nos bosques, sobrará para chorar sobre os túmulos. Um povo que um dia foi tão poderoso e cheio de confiança como o nosso.

De uma coisa sabemos que o homem branco talvez venha um dia a descobrir: o nosso Deus é o mesmo Deus. Julgas, talvez, que O podes possuir da mesma maneira como desejas possuir a nossa terra. Mas não podes. Ele é Deus da humanidade inteira. E quer o bem igualmente ao homem vermelho como ao branco. A terra é amada por Ele. E causar dano à terra é demonstrar desprezo pelo seu Criador. O homem branco também vai desaparecer, talvez mais depressa do que as outras raças.

Continua poluindo a tua própria cama e hás de morrer uma noite, sufocado nos teus próprios dejetos! Depois de abatido o último bisão e domados todos os cavalos silvestres, quando as matas misteriosas federem à gente - onde ficarão então os sertões? Terão acabado. E as águias? Terão ido embora. Restará dar adeus à andorinhas da torre, à caça do fim da vida e o começo da luta para sobreviver...

Talvez compreenderíamos se conhecêssemos com que sonha o homem branco, se soubéssemos quais esperanças transmite a seus filhos nas longas noites de inverno, quais visões do futuro oferece às suas mentes para que possam formar os desejos para o dia de amanhã. Mas nós somos selvagens. Os sonhos do homem branco são ocultos para nós. E por serem ocultos, temos de escolher o nosso próprio caminho. Se consentirmos, é para garantir as reservas que nos prometeste. Lá talvez possamos viver os nossos últimos dias conforme desejamos.

Depois que o último homem vermelho tiver partido e a sua lembrança não passar da sombra de uma nuvem a pairar acima das pradarias, a alma do meu povo continuará a viver nestas florestas e praias, porque nós as amamos como um recém-nascido ama o bater do coração de sua mãe. Se te vendermos a nossa terra, ama-a como nós a amávamos. Protege-a como nós a protegíamos. Nunca esqueças como era a terra quando dela tomaste posse. E com toda a tua força, o teu poder, e todo o teu coração conserva-a para teus filhos, e ama-a como Deus nos ama a todos. Uma coisa sabemos: o nosso Deus é o mesmo Deus. Esta terra é querida por ele. Nem mesmo o homem branco pode evitar o nosso destino comum.


Chefe Seattle da tribo Duwamish, 1855





DOWNLOAD: BOLA SETE - SHEBABA - 1971
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Por mais que calem
por mais voltas que o mundo dê
por mais que neguem os acontecimentos
por mais repressão que o Estado implante;
por mais que se mascarem com a democracia burguesa;
por mais greves de fome que sufoquem;
por mais que superlotem os cárceres;
por mais pactos que assinem com os manipuladores;
por mais guerras e repressão que imponham;
por mais que tentem negar a história e a memória de nossa classe.

Mais alto diremos:
assassinos de povos
miséria de fome e liberdade
negociantes de vidas alheias.
Mais alto que nunca, gritando ou em silêncio,
recordaremos vossos assassinatos
de gentes, vidas, povos e natureza.

De boca em boca, passo a passo, pouco a pouco.


Salvador Puig Antich 1974




DOWNLOAD: ISAAC HAYES - TOUGH GUYS OST - 1974 - 192Kbps





Não há nada mais raro hoje em dia do que a disponibilidade para a escuta do outro, do outro como diferença. Tão viciados estamos dentro dos nossos próprios referenciais, dada a nossa formação, ou melhor, deformação de especialistas em pequenas áreas do saber sobre o homem, que não nos tornamos senão prisioneiros, cada um de nós, num pequeno gueto das chamadas ciências humanas.


Lúcia Santaella








DOWNLOAD: GALT MACDERMOT -
UP FROM THE BASEMENT 1 & 2
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DOWNLOAD: GARY TOMS EMPIRE -
7-6-5-4-3-2-1 (BLOW YOUR WHISTLE) - 1974 - 192 Kbps
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É fácil identificar as pessoas que pertencem a “nossa” cultura. Quando você vai a um lugar — qualquer lugar do mundo — e vê que a comida está trancada a sete chaves, sabe que está entre membros da nossa cultura. Podem ter diferenças extremas em questões relativamente superficiais — forma de se vestir, costumes conjugais, festas que celebram, e assim por diante. Mas, quando se trata da mais fundamental de todas as coisas — conseguir comida para manter a vida —, são todos iguais. Nesses lugares, toda a comida pertence a alguém e, se você quiser um pouco dela, vai ter de comprá-la. É o que se espera nesses lugares; os membros da nossa cultura não conhecem outra forma de viver.

Transformar a comida numa mercadoria a ser possuída por alguém foi uma das grandes inovações da nossa cultura. Nenhuma outra cultura da história trancou a comida a sete chaves — e a posse de comida é a pedra fundamental da nossa economia, pois, se ela não estivesse sob sete chaves, quem iria trabalhar?


Daniel Quinn




DOWNLOAD: AIRTO - FREE - 1972
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Hoje sinto orgulho que dizer que sou inumano, que não pertenço a homens e governos, que nada tenho a ver com a maquinaria rangente da humanidade.

Lado a lado com a espécie humana corre outra raça de seres, os inumanos, a raça de artistas que, incitados por desconhecidos impulsos, tomam a massa sem vida da humanidade e, pela febre e pelo fermento com que a impregnam, transformam a massa úmida em pão, e pão em vinho, e o vinho em canção. Do composto morto e da escória inerte criam uma canção que contagia. Vejo esta outra raça de indivíduos esquadrinhando o universo, virando tudo de cabeça pra baixo, e os pés sempre se movendo em sangue e lágrima, as mãos sempre vazias, sempre se estendendo na tentativa de agarrar o além, o deus inatingível: matando tudo ao seu alcance a fim de acalmar o monstro que lhe corrói as entranhas.

Se sou inumano é porque meu mundo transbordou de suas fronteiras humanas, porque ser humano parece uma coisa pobre, triste, miserável, limitada pelos sentidos, restringidas pelas moralidades e pelos códigos, definida pelos lugares-comuns e ismos.

Tenhamos um mundo de homens e mulheres com dínamos entre as pernas, um mundo de fúria natural, de paixão, ação, drama, sonhos, loucuras, um mundo que produza êxtase.

Fora as lamentações! Fora elegias e réquiens! Fora biografias e histórias, bibliotecas e museus! Que os mortos comam os mortos. Dancemos nós, os vivos, à beira da cratera, uma última e agonizante dança.

Sou Inumano, digo isso com um riso louco e alucinado, e continuarei a dizê-lo ainda que chovam crocodilos.


Henry Miller



DOWNLOAD: JANE'S ADDICTION - NOTHING'S SHOCKING - 1988
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DOWNLOAD: JANE'S ADDICTION - RITUAL DE LO HABITUAL - 1990





Os proprietários, os capitalistas, roubaram do povo, pela fraude ou pela violência, a terra e todos os meios de produção, e como conseqüência deste roubo inicial podem subtrair dos trabalhadores, a cada dia, o produto de seu trabalho. Mas esses ladrões afortunados tornaram-se fortes, fizeram leis para legitimar sua situação, e organizaram todo um sistema de repressão para se defender, tanto das reivindicações dos trabalhadores quanto daqueles que querem substituí-los, agindo como eles próprios agiram. E agora o roubo desses senhores chama-se propriedade, comércio, indústria, etc; o nome de ladrões é reservado, todavia, na linguagem usual, àqueles que gostariam de seguir o exemplo dos capitalistas, mas que, tendo chegado muito tarde e em circunstâncias desfavoráveis, só podem fazê-lo revoltando-se contra a lei.


Errico Malatesta




DOWNLOAD: REUBEN WILSON AND THE COST OF LIVING
- GOT TO GET YOUR OWN - 1975
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Só serei verdadeiramente livre quando todos os seres humanos que me cercam, homens e mulheres, forem igualmente livres, de modo que quanto mais numerosos forem os homens livres que me rodeiam e quanto mais profunda e maior for a sua liberdade, tanto mais vasta, mais profunda e maior será a minha liberdade.


Mikhail Bakunin











DOWNLOAD: DAMN SAM THE MIRACLE MAN & THE SOUL CONGREGATION - 1970
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No fundo, sente-se agora que um tal trabalho é a melhor polícia, que retém cada indivíduo pelo freio e que sabe impedir com firmeza o desenvolvimento da razão, do desejo e do prazer da independência. Pois faz despender enorme quantidade de energia nervosa, e subtrai essa energia à reflexão, à meditação, ao sonho, à inquietação, ao amor e ao ódio.


Friedrich Nietzsche





O trabalhador, portanto, só se sente em si fora do trabalho; no trabalho sente-se fora de si. Só está à sua vontade quando não trabalha, quando trabalha não está no seu domínio. Assim, o seu trabalho não é voluntário, mas imposto; é trabalho forçado. Não constitui a satisfação de uma necessidade, mas apenas um meio de satisfazer outras necessidades. A estranheza do trabalho ressalta claramente do fato de se fugir dele como da peste, logo que não exista nenhuma coerção material ou de outro tipo.


Karl Marx


excertos do MANIFESTO CONTRA O TRABALHO - GRUPO KRISIS



DOWNLOAD: THE SWEET VANDALS - 2007 - VBR
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DOWNLOAD: CEDRIC IM BROOKS & THE LIGHT OF SABA - 320 Kbps
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Nada é veneno e tudo é veneno;
a diferença está na dose.


Paracelsus










DOWNLOAD: SITAR BEAT! - INDIAN STYLE HEAVY FUNK VOL. 1
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Onze horas,
onze anos de idade,
um botijão de gás
asfixia a criança
que sobe, ligeira, a ladeira
e à força das gravidades
não poderá mais crescer

sete horas,
setecentas cabecinhas
dentro do ônibus sagrado
Rezam sete ave-marias
De sete em sete segundos
E à força das gravidades
Não poderão mais subir

Meia-noite
Brasil do ano dois mil
Explode em artifícios
Camufla o novo holocausto
Sacrifica ao deus-bezerro
E à força das gravidades
Muito sangue há de correr

Sim, nós temos super-heróis
Só não estão na TV
Nem nas áreas de lazer
Em qualquer dificuldade
Em caso de overdose
E à força das gravidades
Chamem o Batmam!


França



DOWNLOAD: EVERLAST - WHITEY FORD SINGS THE BLUES - 1998 - 320 Kbps
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A Natureza nem sempre existiu. Ela não é encontrada nas profundezas da floresta, no coração do puma ou nas canções dos pigmeus; ela é encontrada nas filosofias e nas imagens construídas de seres humanos civilizados. Linhas aparentemente contraditórias são tecidas juntas criando uma natureza como uma construção ideológica com o propósito de nos domesticar, suprimir e canalizar as nossas expressões de natureza selvagem.


Feral Faun










DOWNLOAD: PINK FREUD - SORRY MUSIC POLSKA - 2003 - 192Kbps









DOWNLOAD: STUDIO ONE SCORCHER - INSTRUMENTALS - 2002 - 192 Kbps
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PEDAGOGIA LIBERTÁRIA




Nas ditaduras, o poder é tomado pelas armas, pela fome e pela morte. O capitalismo se utiliza da democracia para chegar ao poder pela compra dos votos e pela corrupção da Justiça. De qualquer modo, sempre há autoritarismo e violência na gênese do poder.

No entanto, a manutenção do poder de Estado nas ditaduras ou nas democracias capitalistas é garantida não mais diretamente pelas armas e pelo dinheiro. Vem sendo garantida pela família e pela escola, por meio da pedagogia autoritária, apoiada e estimulada pelo Estado autoritário.

Wilhelm Reich dizia que "a família burguesa capitalista espelha e reproduz o Estado". O mesmo se pode dizer das escolas onde também se pratica a pedagogia autoritária. Educadas dessa maneira, as crianças e os jovens tornam-se obedientes e submissos aos pais, aos professores e ao Estado.

Em verdade, tanto a pedagogia doméstica quanto a escolar, quando autoritárias, visam reprimir nas crianças e nos jovens o sentimento e a necessidade da liberdade como condição fundamental da existência. Sem esse sentimento e sem essa necessidade, desaparecem nas pessoas o espírito crítico e o desejo de participação ativa na sociedade. São os dependentes. Desgraçadamente, a maioria.

Na vida familiar, três são as armas principais da pedagogia autoritária: primeiro, o pátrio poder (os filhos devem obedecer aos pais, por lei, até a maioridade), o que é um abuso e uma violência tornados legais; segundo, o amor, sentimento natural de beleza e gratidão que os pais transformam em instrumento de dominação e de posse sobre os filhos, fazendo com que se submetam às suas vontades chantagísticas, usadas para não sentirem a dor do remorso e do abandono; terceiro, pela dependência dos filhos ao dinheiro dos pais e pela ameaça, também chantagística, de afastá-los de casa sem nenhum recurso financeiro.

Crianças que foram educadas sob uma destas três formas (ou sob todas) de autoritarismo entram na escola já deformadas e facilmente projetam nos professores o poder dos pais sobre si. Não conseguem criticá-los e, se o fazem, não transformam a crítica em ação, a não ser contra si mesmos, tornando-se indiferentes ao conhecimento e apresentando baixo rendimento escolar.

Homens e mulheres criados no ambiente familiar e escolar autoritários são os que garantem a manutenção das ditaduras e do capitalismo, bem como as falsas democracias. Eles "espelham e reproduzem o Estado", são pessoas neuróticas, fracas, despreparadas, incompetentes e impotentes para a vida pessoal plena e social satisfatória. Servem apenas para se submeter, obedecer, entrar em linha de montagem na produção, ser massificadas pela mídia e votar a favor dos poderosos, mostrando-se indiferentes, se conseguem um trabalho que os sustente, à miséria da maioria. Como conseguiu estudar ou trabalhar no sistema, pode suportar, indiferente, a convivência com os setenta milhões de conterrâneos que vivem na mais completa miséria.

Diante de um quadro desses, torna-se necessário, absolutamente indispensável, refletir sobre a possibilidade de interferência no sistema político burguês capitalista, especialmente sobre a sua pedagogia autoritária. É urgente descobrir alguma forma de atuação libertária em todos os níveis, desde as creches, passando pelas escolas primárias e secundárias, chegando, por fim, à universidade.


Roberto Freire




DOWNLOAD: KING TUBBY & FRIENDS - DUB GONE CRAZY - 1975~1979 - 320 Kbps
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Bombardeio de Hiroshima e Nagazaki: o maior atentado terrorista de todos os tempos



DOWNLOAD: FLORA PURIM - BUTTERFLY DREAMS - 1973
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Muitas vezes ouvimos que os pobres são gratos à caridade. Alguns o são, sem dúvida, mas os melhores entre eles jamais o serão. São ingratos, descontentes, desobedientes e rebeldes - e têm razão. Consideram a caridade uma forma inadequada e ridícula de restituição parcial, uma esmola, geralmente acompanhada de uma tentativa (impertinente) por parte do doador de tiranizar a vida de quem a recebe. Por que deveriam sentir gratidão pelas migalhas que caem da mesa dos ricos? Eles deveriam estar sentados nela e agora começam a percebê-lo.

Quanto ao descontentamento, qualquer homem que não se sentisse descontente com o péssimo ambiente e o baixo nível de vida que lhe são reservados seria realmente muito estúpido. Qualquer pessoa que tenha lido a história da humanidade aprendeu que a desobediência é a virtude original do homem. O progresso é uma conseqüência da desobediência e da rebelião.

Não consigo entender como alguém que tem uma vida medonha graças a leis absurdas possa ainda concordar com a sua continuidade. Entretanto, a explicação não é difícil. A miséria e a pobreza são de tal modo degradantes e exercem um efeito tão paralizante sobre a natureza humana que nenhuma classe consegue realmente ter consciência do seu próprio sofrimento. É preciso que outras pessoas venham apontá-lo, e ainda assim muitas vezes não acreditam nelas.

É por isso que os agitadores são necessários. Sem eles, em nosso estado imperfeito, a civilização não avançaria.


Oscar Wilde



DOWNLOAD: DJ CAM - SUBSTANCES - 1996 - VBR
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Para cada ato esclarecido da história humana, houve sempre um milhão de atos prejudiciais à raça, em virtude da estupidez, da preguiça, do raciocinio falho, do esquecimento, do orgulho, do preconceito, da malícia. De outro modo, como explicar a lentidão desalentadora do progresso humano?


Walter B. Pitkin










DOWNLOAD: THE BAR-KAYS - GOTTA GROOVE - 1969





A nossa vida é o assassinato pelo trabalho, durante sessenta anos ficamos enforcados e estrebuchando na corda, mas não a cortamos.

Georg Büchner




DOWNLOAD: THE POETS OF RHYTHM - DISCERN/DEFINE - 2001
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DOWNLOAD: THE WHITEFIELD BROTHERS - IN THE RAW - 2001
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DOWNLOAD: THE POETS OF RHYTHM - WHAT GOES 'ROUND - 2002 - 192 Kbps
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DOWNLOAD: THE POETS OF RHYTHM
- PRACTICE WHAT YOU PREACH - 2006 - 192 Kbps
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DOWNLOAD: YABBY YOU - JESUS DREAD - 1972~1977 - DISCO DUPLO






O objetivo dos governos é sempre o mesmo: limitar o indivíduo, domesticá-lo, subordiná-lo, subjugá-lo.


Max Stirner











DOWNLOAD: THE FREE POP ELECTRONIC CONCEPT
- A NEW EXCITING EXPERIENCE - 1969
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DOWNLOAD: MEL BROWN - CHICKEN FAT - 1967 - 192 Kbps
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Os escravos do século XXI não precisam ser caçados, transportados e leiloados através de complexas e problemáticas redes comerciais de corpos humanos. Existe um monte deles formando filas e implorando por uma oportunidade de trocar suas vidas por um salário de miséria. O "desenvolvimento" capitalista alcançou um tal nível de sofisticação e crueldade que a maioria das pessoas no mundo tem de competir para serem exploradas, prostituídas ou escravizadas.



Luther Blisset





DOWNLOAD: OS MUTANTES - EVERYTHING IS POSSIBLE
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A INUTILIDADE DAS LEIS





A um exame atento, as milhares de leis que existem para regular a humanidade parecem estar divididas em três categorias principais: proteção da propriedade, proteção dos indivíduos e proteção do governo. Analisando cada uma destas categorias, chegamos a uma única e inevitável conclusão, lógica e necessária: a inutilidade das leis.

A metade das nossas leis - o código civil de cada país - não serve a qualquer outro propósito senão o de manter a propriedade, este monopólio em benefício de determinados indivíduos em detrimento de toda a humanidade. Três quartos das causas julgadas pelos tribunais não são nada mais do que disputas entre monopolistas - dois ladrões lutando pela posse do produto de seus roubos. E muitas das nossas leis criminais têm o mesmo objetivo em vista, tendo sido criadas para manter o trabalhador numa posição de subordinação em relação ao patrão, proporcionando a segurança necessária para que a exploração continue.

Como todas as leis sobre propriedade não têm qualquer outro objetivo senão o de proteger a apropriação injusta, garantir que certos indivíduos se apropriem indevidamente do trabalho de outros seres humanos, não há nenhuma razão que justifique a sua existência. Nada mais justo do que fazer-se uma grande fogueira ao ar livre lançando nela todas as leis que tratassem dos assim chamados "direitos de propriedade", todos os títulos de propriedade, todos os registros e escrituras: em uma palavra, tudo aquilo que tivesse qualquer ligação com uma instituição que logo será vista como uma nódoa da humanidade, tão humilhante quanto a escravidão ou o servilismo de outras épocas.

As observações que acabamos de fazer a respeito das leis sobre a propriedade poderiam ser aplicadas também à segunda categoria de leis: aquelas destinadas a manter os governos, ou seja, as leis constitucionais. É outra vez um arsenal de leis, decretos, disposições, decisões de conselhos e o que mais houver, criados com o fim de proteger as diversas formas de governo. Sabemos bem que a missão de todos os governos é proteger e manter, através da força, os privilégios das classes dominantes - a aristocracia, o clero e os comerciantes. Mais de um terço de todas as leis que existem - cada país tem milhares delas que regulam os impostos, as taxas, a organização dos departamentos ministeriais e suas repartições, as Forças Armadas, a Polícia, a Igreja, etc. - não tem qualquer outro objetivo senão manter, remendar e desenvolver a máquina administrativa. E esta máquina, por sua vez, funciona quase que exclusivamente para proteger os privilégios da classe dominante. Analise estas leis, observe-as em ação no dia-a-dia e descobrirá que nenhuma delas merece ser preservada.

Resta considerar a terceira categoria, aquela que diz respeito à proteção dos indivíduos e ao combate e prevenção do "crime", que desfruta de uma certa consideração especial em conseqüência da crença de que este tipo de lei é absolutamente indispensável à manutenção da segurança em nossas sociedades.

Essas leis, criadas a partir das práticas mais úteis às comunidades humanas, foram mais tarde aproveitadas pelos governantes como um dos meios para justificar sua própria dominação. Em primeiro lugar, quanto aos assim chamados "crimes" - assaltos contra pessoas - é sabido que pelo menos 2/3 e freqüentemente 3/4 deles são instigados pelo desejo de apossar-se da fortuna alheia. Esta imensa classe de "crimes e delitos" desaparecerá no dia em que a propriedade privada deixar de existir.

Além do mais, é também sabido que o medo do castigo nunca impediu que qualquer crime fosse cometido. Aquele que mata seu vizinho, por vingança ou miséria, não pensa muito nas conseqüências.

Somos continuamente lembrados dos benefícios que a lei confere e dos efeitos benéficos do castigo, mas terão aqueles que nos falam tentado alguma vez fazer um balanço entre os benefícios atribuídos às leis e castigos e os efeitos degradantes que esses castigos tiveram sobre a humanidade? Tente calcular todas as perversas paixões que os atrozes castigos infligidos em nossas ruas despertaram na humanidade. O homem é o animal mais cruel que existe na face da terra. E quem terá estimulado e desenvolvido esses instintos cruéis, desconhecidos mesmo entre os macacos, senão o rei, o juíz e os padres apoiados em leis que permitiam que a pele fosse arrancada em tiras, o breu fervente derramado sobre as feridas, os membros arrancados, os ossos esmagados, os homens despedaçados para que sua autoridade fosse mantida? Tente avaliar a torrente de depravação libertada entre a sociedade humana pela política de delação encorajada pelos juízes e paga em dinheiro vivo pelos governos, a pretexto de auxiliar na descoberta de "crimes". Basta apenas que entre nas prisões e veja no que se transforma um homem privado da liberdade e encerrado com outros seres depravados, mergulhados no vício e na corrupção que escorre das próprias paredes das nossas prisões. Finalmente, basta lembrar da corrupção e depravação que existem entre os homens, alimentadas pela idéia da obediência - que é a própria essência da lei - da punição; da autoridade arrogando-se o direito de punir, de julgar sem considerar nem a nossa consciência, nem a estima de nossos amigos; da necessidade de que hajam carrascos, carcereiros e informantes - em uma palavra, de todos os atributos da lei e da autoridade. Pense em tudo isto e certamente concordará conosco quando afirmamos que uma lei que inflige punições é uma abominação que deveria deixar de existir.

Povos sem organização politica e, portanto, menos depravados do que nós, entenderam perfeitamente que o homem a quem chamam de "criminoso" é simplesmente um infeliz; que a solução não é açoitá-lo, acorrentá-lo ou matá-lo no cadafalso ou na prisão, mas ajudá-lo como a um irmão, dispensando-lhe um tratamento baseado na igualdade e nos costumes em vigor entre os homens honestos. Na próxima revolução, esperamos que o grito de guerra seja: "Queimem as guilhotinas, destruam as prisões, expulsem os juízes, os policiais e os informantes; tratem como a um irmão o homem que foi levado pela paixão a praticar o mal contra seu semelhante; e, sobretudo, retirem dos ignóbeis produtos da ociosidade da classe média a possibilidade de exibir seus vícios sob cores atraentes, e estejam certos de que apenas uns poucos crimes violentos virão perturbar a nossa sociedade".

Os principais incentivadores do crime são a ociosidade, as leis e a autoridade que toma a seu cargo a criação e aplicação destas leis.

Chega de leis! Chega de juízes! Liberdade, igualdade e solidariedade humana são as únicas barreiras efetivas que podemos opor aos instintos anti-sociais de alguns seres que vivem entre nós.



Peter Kropotkin




DOWNLOAD: THE SOUND STYLISTICS - PLAY DEEP FUNK - 2007 -
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*

o trabalho
o eterno
vc é capaz de ver isso?
não existe eterno
num instante me apavoro
basta pensar sobre o mundo
- sobre mim -
- sobre vc -
q perda de tempo
q coisa ridicula
?pronde isso leva a gente
todos com a consciencia tranquila
- as manada -
- as tola manada -
comendo quando podem -
trepando y pensando nisso o tempo todo -
fazendo o mal
- sonhando o mal -
pra nada
a natureza não tem nada com isso
o vento não tem nada com isso
a terra não tem nada com isso
somente os outro y eu mesmo


*

quando caminho junto do rio
vejo as margem verde o azul descosido
sinto nojo de mim mesmo
- de tudo isso q rodeia a gente y entope -
vergonha da virtude y da beleza das coisa

*

essa loucura é maldita porq não é loucura
vejo toda noite
minha cabessa rolar na ladeira escura
y tou la dentro sem poder nada fazer
verme dentro da fruta
rolando sem saber porq

*

terra morta
- rios seco -
- mar devastado -
- gente caindo aos pedasso -
y a gente vive como se nada disso fosse assim
- como sagente tivesse num paraiso -
sempre em festa
- como reis doutros tempo -
palhassada

*

a carne despenca dos osso
- osso se dissolve na carne -
- olho pendurado -
- unha arrancada -
- sexo estourado -
- tripas correndo pelo chão y a gente rindo -
- em festa -
como se nada

*

nada acontece de novo faz tanto tempo
- olha ali a fumassa dos ultimos corpo -
- olha ali a cinza dos penultimo -
- olha ali o silencio de toda a gente -
- olha ali o qa gente pode fazer -
- olha ali o final de tanta tolice -
- olha ali enfim a gente reduzido
ao q a gente sempre foi -

*

veja ali o limite da cidade
- y as ruina -
- y as chama alta como muralha -
- y os grito -
y o correcorre como se fosse inda possivel fugir
inda bem q miscondi
- guardei algum dinheiro y vou escapar

*

não existe consciencia
tamos morto
y disso a gente muito bem sabe
somos louco q sonha a razão
mundo palhasso
mundo terrivel
somente macaco vestindo calssa
- camisa - sapato - meia - calssa
- cachimbo - cigarro - charuto -
fantasiado de deus como lesma de jardim
imbecil astronomico
- canalha sem cura -

*

esse bicho não tem instinto
tem somente burrice
do meu lugar pode ver outra coisa
- ele come - arrota - caga -
- trabalha se reproduz - y morre
note o resultado
veja - aprecie essa coisa -
ta vendo tudo escura
não é pra menos
vc tocou numa coisa escura - trevosa -
parente de tudo q é podre
mexa com as orelhas
- apalpe o peito - a fronte - o pulso -
- os beissos - as pernas - o sexo mole -
por falar nisso
- tem muito desejo mostrar a utilidade dos dente
- veja -
quando enfio meus dedo dentro da boca
ele simplesmente morde com forssa
- não somente praqueu retire meus dedo -
mas pra q sacie seu odio
ele não vai agir igual cão - a gato -
omem não é animal domestico
é a sombra do burro
- do escorpião - da lesma -
y de todo bicho traissoeiro
feche os olho y veja
y q vão pro inferno omens y mulheres
pois são a mesma merdinha
- lados ruim das mesmas coisas -
dizem q são diferente
mas não passa da mesma materia ruim
todos são capaz de matar y de me matar y se matar
com a mesma crueldade
- o mesmo pra nada -
- a mesma perversidade -
o mesmo arrependimento frio
de quem tem fome y se arrepende depois q comeu
depois q garantiu seu pedasso de sobrevivencia
eu mesmo sou ruim
- não presto -
o resto tome no cu

*


Alberto Lins Caldas, excertos recombinados de WYK




DOWNLOAD: HUGHIE IZACHAAR - AFRICAN MELODICA DUB - 192Kbps -
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FIUME PIRATEIA VOL 2: CONGO NYA





A Congo Nya Cultural Foundation foi fundada no início dos anos 80 na comunidade de Mount Sinai, em Georgetown, Guiana Inglesa, e tem como um de seus objetivos propagar a cultura rastafari mundo afora. "Congo Nya" significa "África Livre", e seus ideais são de emancipação, paz e igualdade, sempre calcados nas palavras da bíblia e na pessoa de Haile Selassie. Expressam-se através do Nyabinghi, tipo de música sacro-ritualística executada por eles apenas com instrumentos de percussão feitos pelos próprios membros da banda. O termo Nyabinghi na Jamaica de hoje significa "Morte aos opressores brancos e negros". A compilação conta com músicas de três discos do Congo Nya: The New Light of the World, Bamboo Fire e Congo Nau. São membros do grupo que participaram dessas gravações: Simba Pyramid, Ras Bongo, Lyson Fya, Ras Yakubah, Andrew, Ras Juliana, Ras Anthony e Ras Ricarda, dentre outros.


MYSPACE

Simba Amlak
http://www.myspace.com/simbapyramid/

Lyson Fire
http://www.myspace.com/lysonfire/



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A PRÁTICA NAZISTA DA TV GLOBO





Através da aplicação inteligente e constante da propaganda, as pessoas podem ser induzidas a ver o paraíso como o inferno, e também o contrário, e considerar o mais miserável tipo de vida como paraíso.


Adolf Hitler









DOWNLOAD: MOUSSA DOUMBIA - KELEYA - 70's (2006 reissue)






Ocorre que não é preciso buscar aquilo que já temos. Assim, se pensamos ter o conhecimento, também pensamos não precisar buscá-lo. Daí porque, se estamos iludidos a esse respeito, essa ilusão é o maior bloqueio para a obtenção do conhecimento. Como já disse alguém, não há melhor prisão do que aquela que não se parece com uma prisão.


Júlio César Burdzinski












DOWNLOAD: BRIGHTBLACK MORNING LIGHT - 2006

JUST SAY "KNOW"



A "guerra contra as drogas" é absolutamente indecente. A proibição do uso de substâncias psicotrópicas beneficia a violência do tráfico às custas do dinheiro público, além de não impedir na prática a utilização de drogas, que devido a procedência duvidosa e adulteração, ficam ainda mais perigosas. Neste texto procurarei destrinchar a ideologia duvidosa que proíbe coisas como a maconha e os alucinógenos, ignorando o uso milenar dessas substâncias com fins religiosos, hedonistas ou medicinais.

A raiz da proibição de substâncias está na igreja medieval, que por razões dogmáticas proibia o uso de todo o tipo de especiarias (não só psicotrópicos) como perfumes, açúcar, etc. O que quer que causasse prazer era controlado pelo clero. Mesmo a música demorou anos para se livrar da proibição da dissonância e mesmo da polifonia, a base de toda a música ocidental após o período renascentista.

O sexo até hoje é desconsiderado pela igreja como um ato sublime e religioso por si só, sem a reprodução como finalidade precípua, e a proibição de anticoncepcionais pelo Papa só endossa esta afirmação. Mesmo drogas medicinais eram atacadas, principalmente por serem utilizadas por "bruxos", que não passavam de médicos camponeses, parteiras, etc., que tinham o conhecimento das ervas. O descobrimento da América, já numa época onde essas substâncias eram toleradas, criou nações como o Brasil que dependiam e criavam sua riqueza (que, claro, ia para os colonizadores) quase que unicamente de uma substância psicotrópica que causa dependência, o café, e do açúcar, especiarias antes com o uso restringido na Europa. Isso sem falar no tabaco, hábito dos índios americanos que se espalhou pelo mundo com uma velocidade alarmante, apesar das restrições da Igreja, que não poderia tolerar uma coisa "infernal" como aquela, que queimava e produzia fumaça.

No século passado, já com o iluminismo absolutamente consolidado, em pleno positivismo, fez-se a descoberta de inúmeras drogas, entre elas os anestésicos, que revolucionaram a cirurgia. Intelectuais faziam uso de Absinto (uma bebida com um efeito ligeiramente diferente do álcool), cocaína, ópio, tabaco sob a forma de rapé e cigarros, e o uso dessas substâncias (com exceção talvez do ópio) era requintada e dândi. Mas entre as classes populares ainda havia o preconceito (além da falta de dinheiro, claro) reminiscente da Igreja, principalmente entre os Protestantes, mas o álcool sempre foi largamente utilizado.

O século XX entrou com a psicanálise do Dr. Freud, que era um notável usuário de tabaco e cocaína, o que na época não era considerado, como normalmente se entende hoje, um ponto negativo para ele. Na Sears, loja de departamentos Norte-Americana, se podia comprar um kit com uma seringa e diversas substâncias para o senhor de família relaxar ou se divertir. A antropologia estava em alta e diversos estudiosos viajavam para lugares remotos e experimentavam as drogas religiosas de diversos povos.

De fato quase toda cultura tem uma droga específica. Alguns casos chegam ao extremo, como algumas tribos vikings, que usavam um cogumelo extremamente tóxico. Eles faziam o guerreiro mais forte tomar uma poção com o cogumelo e depois toda a tribo bebia a urina do guerreiro, que mantinha o efeito psicotrópico mas não o efeito tóxico, o guerreiro passava mal alguns dias. Os índios mexicanos que usam cactus Peyote vomitam por dias a fio com a boca lanhada e seca apenas para ter alucinações. Normalmente quem faz o uso dessas substâncias é o xamã, ou pagé, da tribo e ele a partir disso faz previsões ou curas.

Zoroastrismo, Igreja Cóptica, esquimós da Sibéria, índios por toda a América (aliás 80% das plantas alucinógenas se concentra na América), sufis do islã, tribos africanas, todos usam ou usavam substâncias psicotrópicas (sem contar o álcool) com fins religiosos, de prazer ou medicinais. Acredita-se que na Grécia antiga, nos ritos de Eleusis, se utilizava um derivado do Ergot, o mofo do centeio, como um alucinógeno semelhante ao LSD. Se isso for verdade, gregos ilustres como Platão, que participavam das cerimônias, utilizavam (ou viam pessoas utilizar) alucinógenos.

Mas com tudo isso, a maior nação Protestante do mundo, os Estados Unidos, em 1914 resolveu baixar uma lei proibindo o uso de diversas substâncias psicotrópicas, feito imitado (nem sempre por vomtade própria) por todo o mundo algum tempo depois. Além disso, na década de 30, talvez devido a depressão econômica, tentaram proibir o álcool. O tráfico foi tanto, a violência tanta, que voltaram atrás.

Enquanto isso se descobria o LSD e Aldous Huxley fazia experimentos com a mescalina e escrevia um livro muito influente até hoje, "As portas da percepção". As bases estavam lançadas para o primeiro movimento contracultural, os Beatniks, nos anos 50. Usuários de drogas pesadas, intelectuais, apreciadores do Jazz, este grupo razoavelmente pequeno de pessoas foi a base cultural da revolução dos anos 60. Através de seus livros uma geração inteira de pessoas direcionadas para o uso sem preconceitos (e até exagerado) de drogas foi criada. E com ela a revolução sexual e cultural que todos conhecemos.

As pesquisas com o uso psiquiátrico do LSD caminhavam (com resultados controversos até hoje) muito bem, e quando o governo percebeu havia toda uma geração não voltada para o consumo, despreocupada com o trabalho e pacifista (isso em plena e inútil guerra do Vietnã). Esse foi o ultimato para as drogas. O governo americano proibiu o LSD em 1966, e acabou com as verbas para sua pesquisa (o estudo psiquiátrico do LSD continua apenas na Suíça). O tráfico internacional de drogas começou. Houve toda uma campanha de desinformação sobre drogas. O usuário de drogas não podia confiar em nenhuma informação técnica sobre a substância, reportagens exageradas mostravam fatos duvidosos, etc. Até hoje existe algo disso, embora seja muito mais fácil conseguir informação confiável sobre drogas.

É isso mesmo. Você achava que o governo proíbe as drogas porque elas "fazem mal", mas na verdade o governo as proíbe porque elas são contraproducentes numa sociedade de zumbis consumistas, trabalhadores incansáveis de corporações sem rosto e pessoas naturalmente deprimidas e sem religião. É verdade que algumas drogas fazem mal e provocam uma dependência terrível, como a heroína, é verdade que se pode morrer de overdose de cocaína, e é verdade que uma pessoa despreparada e deprimida, num ambiente desfavorável, pode se suicidar pelo efeito do LSD. Mas o álcool e o tabaco também provocam muitos malefícios e são liberados. Você não acha que o cidadão é que deveria decidir o que utilizar? Você gosta de ser tratado como um bebê que não pode comer um doce porque papai não quer? Você, cidadão respeitável, gosta de pagar a busca e apreensão de drogas, que podiam render impostos para o governo e ainda ter uma qualidade bem melhor, o que evitaria muitas mortes? Você acha que seu filho merece a informação dos amigos e traficantes ou a de uma bula? Você não confia nas pessoas?

Não prego aqui a liberação de heroína ou cocaína, o que seria impossível aqui, embora a experiência da Holanda não seja o que pregam. Lá, pelo menos os Junkies, que são doentes, têm o auxílio do governo. E sempre vão haver Junkies, pesquisas mostram que pelo menos 10% da população desenvolve algum tipo de dependência que não seja de café ou tabaco. Mas alucinógenos não provocam dependência e geralmente são experiências enriquecedoras. Quase não existe tráfico de LSD, simplesmente porque ele não vicia, a pessoa sequer sente uma vontade reincidente (como na cocaína, outra droga que não causa dependência física, apenas uma forte dependência psicológica) - ou seja, drogas seguras não são normalmente traficadas, e o lugar comum chega a pensar (já me vieram com essa diversas vezes) que o "Ácido" é muito mais perigoso do que a cocaína. Sem falar na maconha, que nunca deveria ter sido proibida, e que leva a fama de quase tudo que não é: aditiva, destruidora de cérebro, etc. E as pessoas que falam isso bebem todo o dia, ou todo o fim de semana.

Não prego aqui que todos devam usar drogas. Apenas os xamãs modernos, os artistas e os intelectuais, as pessoas criativas em geral é que normalmente se beneficiam, e que arcam o pequeno preço que algumas drogas cobram. Mas todos temos o direito de experimentar. Todos temos o direito de saber.

Drogas - Just Say "Know".


Timothy Leary


DOWNLOAD: STUDIO ONE FUNK - 2004 - VBR
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DOWNLOAD: ASHA PUTHLI - 1974
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Tenho lutado para experimentar e existir, para lutar e consentir nas formas (todas as formas) com as quais a delirante ilusão de estar no mundo impregnou a realidade.

Não desejo continuar enganado por ilusões.

Morto para o mundo; para aquilo que para todos os demais constitui o mundo; finalmente caído, tombado, erguido dentro do vazio que eu havia rejeitado. Tenho um corpo que experimenta o mundo e vomita realidade.


Antonin Artaud






DOWNLOAD: CHARLES WRIGHT AND THE WATTS 103rd STREET BAND
- YOU'RE SO BEAUTIFUL - 1971

CHINA OUT OF TIBET




Livrem-se das velhas categorias do negativo (a lei, o limite, as castrações, a falta, a lacuna) que por tanto tempo o pensamento ocidental considerou sagradas, como forma de poder e modo de acesso à realidade. Prefiram o que é positivo e múltiplo, a diferença à uniformidade, os fluxos às unidades, os agenciamentos móveis aos sistemas.



Michel Foucault





DOWNLOAD: BILLY MARTIN, GRANT CALVIN WESTON & DJ LOGIC
- FOR NO ONE IN PARTICULAR - 2003 - 320 Kbps
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Porque alguém tem sempre que falar?
Muitas vezes não deveríamos falar, e sim ficar em silêncio.
Quanto mais se fala, menos as palavras significam.
Palavras devem expressar apenas o que queremos dizer.


em Viver a vida, de
Jean-Luc Godard










DOWNLOAD: DR. LONNIE SMITH & DAVID NEWMAN
- BOOGALOO TO BECK - 2003 - 192Kbps
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DOWNLOAD: REUBEN WILSON & BERNIE WORRELL
- BOOGALOO TO THE BEASTIE BOYS - 2004 - 192 Kbps

ENTREVISTA COM ROBERTO PIVA




Entrevista concedida pelo escritor Roberto Piva a Floriano Martins em 1986.


FM - Piva, anarquia ou anarquismo?

RP - Anarquia. Desordem total, sabotagem em regra, insubmissão absoluta. Como diz Léo Ferré, a anarquia é a crítica desesperada, o desespero da solidão. Anarquia é a negação de toda e qualquer autoridade, venha ela de onde vier.


FM - Nós vivemos aqui com uns nós na garganta. O que fazer?

RP - Acredito, com Nietzsche, na reaparição gradual do espírito dionisíaco no mundo contemporâneo. Apesar da caretice generalizada, eu acredito na grande explosão de Dionisus, deus do vinho, deus das bacanais, deus da ecologia e orixá da vegetação. Aqui em São Paulo a polícia fechou uma sauna gay de garotos da periferia e chamou os pais dos garotos na delegacia para humilhá-los e então liberá-los. Foi só a sauna reabrir, e lá estavam todos os garotos outra vez desafiando a autoridade policial, paterna e moral.

William Blake dizia que o desejo que se deixa reprimir não era um desejo suficientemente forte. Debaixo dessa casca dormem com um olho aberto todos os deuses pagãos. O golpe de estado erótico virá e então será a guerra profetizada por Freud no seu livro Totem & Tabu.


FM - O poeta surrealista negro Aimé Césaire, em um poema, diz: “Salve pássaros que abrem com bicadas o verdadeiro ventre do pântano”. Você acha que ele se refere à nossa época e aos poetas?

RP - Claro. O poeta é o que implode o verdadeiro ventre do pântano. Pode ser também o outsider, o louco, o adolescente revoltado, os bruxos, os amantes fora-da-lei, os anárquicos, os drogados, os desordeiros, os visionários etc. Me lembro agora de um verso também de Césaire, onde ele diz: “bárbaro eu a serpente escarradora”. O título deste poema é Bárbaro. Ele termina numa orgia de sangue onde afirma querer “atirar aos cães a carne aveludada de seu tórax”. Toda a poesia verdadeira rima com revolta, amor e liberdade.


FM - E o bom-mocismo na atual poesia brasileira?

RP Artaud afirmava que a poesia é exercício muscular. Jack Kerouac falava que os músculos contêm a essência. A poesia é anterior às palavras. Grande parte da poesia atual brasileira (e não só brasileira) não quer correr risco algum, tem medo do perigo. Então assistimos a volta à poesia de gabinete, onde até a cor de sua escrivaninha os poetas contam nas entrevistas. É uma poesia domada pelo racionalismo cartesiano. Uma poesia de trinta anos atrás que se apoiava na indústria, dançou com o modelo industrial nesta época pós-industrial de biotecnologia e energia solar.


FM - Caminhamos para uma sociedade policial?

RP O monopólio da informação e dos midia nacionais favorece a subordinação administrativa no seu papel de controle social, de burocratização do Mundo, segundo a palavra de Max Weber. A imagem do Estado policial popularizado pelo esquerdismo é retomada com mais variantes pelos ecologistas que sublinham não o seu caráter violento, mas a sua vontade de normalização. Trata-se menos de uma repressão franca e policial do que de uma opressão insidiosa caracterizada pelo domínio do conjunto dos comportamentos. As grandes vítimas desse tipo de normalização, no nosso tempo, foram: Fassbinder, Mishima e Pasolini. Pasolini dizia que o mundo caminhava no sentido de adotar os valores e comportamentos da classe média. Ele foi assassinado por um garoto michê marginal integrado, isto é, um garoto sub-proletário porém com todos os valores da classe média na cabeça. Daqueles que querem uma moto para colocar na garupa uma garota ornamental. Jim Morrison falava nos anos 60 que quem tem o poder da mídia tem o poder da mente. Zé Celso cansou de dizer que a mídia impõe a mensagem. Daí o consumo imposto pelos mídia de alimentos-sucata, de comportamentos-sucata de 50 anos atrás etc.


FM - Qual a sua atividade no momento?

RP - Erotizar e contemplar a árvore de qualidade colérica de que fala Jacob Böehme.


FM - Quando você caminha pelas ruas de São Paulo o que mais chama sua atenção?

RP - Os anões tagarelas, a enfermidade Silêncio, o Controle Central, os macacos não regenerados e os sobreviventes.


FM - Qual a sua profecia para este final de década?

RP - É o princípio do fim. Talvez garotos suburbanos com corpos pintados e máscaras de folhas espalhem um saudável terror com suas garras de leopardo envenenadas. Depois entrarão em cena os acadêmicos da morte, imitações supersônicas e agentes biológicos de inanição. Tudo sob um luminoso em néon escrito DIREITO. Em seguida o Apodrecimento Saturniano Vermelho fará sua aparição num cortejo de macacos de TV e bactérias.









O que mata não é a bebida, mas sim trabalhar antes do meio dia.


Charles Bukowski








DOWNLOAD: BLACK SLAVERY DAYS
- THE SOUND OF SANT ANN - 1981 - 192Kbps
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Entre nós, revolucionários, um fenômeno deve realizar-se; nós devemos conseguir compreender com perfeita retidão e sinceridade todas as idéias daqueles que combatemos; devemos fazê-las nossas, mas para dar-lhes seu verdadeiro sentido. Todos os raciocínios de nossos interlocutores, retardados pelas teorias ultrapassadas, classificam-se naturalmente em seu verdadeiro lugar, no passado, não no futuro. Eles pertencem à filosofia da história.

Élisée Reclus



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HOMO JURIDICUS




quem pensa em processar, quem deseja o processo, quem processa é o centro do meu horror. é um tipo que aceita o estado, a lei, a ordem; que respeita papai do céu, papai e mamãe; faz parte da família, da igreja, do bairro, da cidade, do país, da gramática, do hino, da bandeira; tem um time de futebol, uma festa, um programa de televisão; gosta de corrida de carros, de ler jornais, de jogar; tem orgulho da “história do seu país”; é um tipo que jamais se sente absolutamente deslocado, desfiliado; é pai (mas não aceita: coloca na “culpa” na “minha esposa”, no “acaso” quando ele é que é quem buscou isso porque esse é seu programa secreto, que ele não consegue manipular), é marido, é cidadão, é trabalhador, é um “ser vivo”; é um tipo que é um “ser humano” e se orgulha disso; são emotivos, violentos com “mulheres”, com “homossexuais”, com “negros”: essa violência aparece no seu gosto por piadas; tem absoluta certeza que tem uma “alma imortal”, isto é, tem certeza que essa coisinha minúscula, ridícula, mal cuidada, infeliz e capacho ficará eternamente em algum lugar construído para ele; um tipo que recorre ao “coletivo”, ao “grupo”, ao poder ordenado das “massas”, do “povo”, do “direito”; acredita piamente que é brasileiro e que fala português, respeitando “quem fala certo”, rindo e estranhando de “quem fala errado”; um elemento que não tem autonomia intelectual: precisa de mentores, de gurus, de lideres, de pastores, de padres, de chefes, de companheiros e de amigos, ou esconde sua burrice primária numa sisudez eçiana; um tipo que não criou suas condições culturais porque “estuda”, se “esforça”, “aprende”; que acredita que é “macho” ou “fêmea” e se ressente muito, sofre feito um porco no matadouro, quando “é bicha” (coisa que procura esconder até de si mesmo); um tipo que acredita na natureza, nas energias, na matéria, na ciência e na magia; acredita no trabalho, tanto no que “dignifica o homem” quanto o que “cria a sociedade”; acredita no espírito imortal, em extraterrestres e mistérios; que não está acima dos clones: precisa dos clones para pôr a sua vontade em andamento, os seus “direitos” em exercício. não se resolve sozinho, não dá valor à sua independência, ao seu não, a sua violência, a sua vingança, ao seu desprezo, a sua liberdade; um tipo que não se tornou alguém: não tem face, não tem nome, não tem vergonha: sua vida é cheia de ilusões que jamais conseguirá perceber como ilusões exatamente porque essas ilusões, para ele, são a realidade, os processos da vida, as formas da existência: seu programa social protege ele de toda negatividade, de toda dissolução, de toda virulência: ele é sempre a vítima.

(...)

quando esse tipo é somente cidadão é profundamente compreensível sua imbecilidade dócil (assim determinado “mundo do capital” tem se produzido e reproduzido pelo menos nesses dois últimos séculos). o problema se dá quando ele se torna “aluno de uma universidade”, quando vai estudar nos “cursos de ciências humanas”. a pressuposição é a de que seja alguém que já tenha tomado um caminho “contra o mundo”, que deseje quebrar os programas sociais com sua consciência e sua atuação. mas o que temos numa maioria esmagadora é exatamente o contrário: são tipos que atravessaram seu tempo de universidade para lutar contra ela, contra as possibilidades críticas e filosóficas, para se reafirmarem repondo o que já sabem e o que sabem seus iguais. fará tudo sempre para confirmar “o mesmo”, aquilo que ele já sabe, que todos sabem, que ele acredita, que todos acreditam. mas com uma diferença: a estupidez será acrescida por novas palavras, novas imagens, novos conceitos (todos esvaziados, todos sem profundidade, todos purificados e reencaminhados para o mais comum dos sensos, para a respeitabilidade). e o jegue, com um “título acadêmico”, ganhará um sobrerespeito (todos a sua volta respeitam ele), um lugar de destaque entre os demais jegues: dele provém a “confirmação científica”, “acadêmica”, “filosófica”, de toda tolice, de todo mistério, de todo segredo, de todas as microcrenças: ele acreditando em quase tudo confirma, reafirma num “patamar superior” (linguagem unidimensional) todas as sandices comunitárias, todas as covardias e todos os aleijões.

(...)

o processador não é um “fraco”, um “oprimido”, mas um negociador frustrado: sua vontade de escravo, de agregado, de funcionário público, de consumidor não foi satisfeita. o que ele busca é o equilíbrio, a ordem: as condições do estado e da produção: por isso ele fica tão convulsionado, tão indignado, tão melindrado, tão assanhado, tão revoltado e “doente”: ele só é, só se torna, só pretende, só alcança a existência, o sentido, a forma, o desejo e a alegria através do respeito, da imitação dessas “instâncias superiores”: ele é um filhote do capital, da “sociedade civil”, do estado e da “sociedade de consumo” (que não pode existir plenamente sem todos os direitos, contratos e funções): atingido, contestado, dissolvido, ameaçado seu mundo (pessoal e coletivo: economia e política) precisa voltar ao normal, retornar ao “ser natural”, à toca protetora do estado (quem protege ele quando ameaçado: o servo - agora cidadão - ainda acredita nos sacerdotes como intermediadores de um deus qualquer; nos guerreiros - milicos, policiais e o judiciário - como protetores da comunidade; e dos trabalhadores como aqueles que pagam com seu trabalho pela proteção e pela intermediação). pessoalmente ele não faz nada: sem a lei, sem o estado, sem o patrão, sem o senhor e suas sombras protetoras, ele não reinvidica, não diz não, não contradiz, não critica ou dissolve. o homo juridicus é o indivíduo apascentado, mumificado, cozido dentro do homo economicus: ele não escreve sua própria história.


Alberto Lins Caldas




DOWNLOAD: DUB NARCOTIC SOUND SYSTEM
- DEGENERATE INTRODUCTION - 2004 - 192Kbps
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O mundo atual se divide em dois campos:

– aqueles que agem de maneira a manter a desigualdade e a pobreza, isso é, a obediência e a miséria para os outros, as fruições e o poder para eles mesmos;

– e aqueles que reivindicam para todos o bem-estar e a livre iniciativa.

Na grande família da humanidade, a fome não é unicamente o resultado de um crime coletivo, é ainda um absurdo, pois os produtos ultrapassam duas vezes as necessidades de consumo.

Tendo a evolução econômica contemporânea justificado-nos plenamente em nossa reivindicação de pão, resta saber se ela justifica-nos igualmente em outro domínio de nosso ideal, a reivindicação de liberdade.

‘Nem só de pão vive o homem’, diz um velho provérbio, que permanecerá sempre verdadeiro, a menos que o homem regresse à pura existência vegetativa.

Mas qual é, então, esta substância alimentar indispensável, fora o alimento material?

A Igreja de todos os cleros prega-nos que é a ‘Palavra de Deus’;

O Estado determina-nos que é a ‘Obediência às Leis’.

Esse alimento que desenvolve a mentalidade e a moralidade humanas é o ‘fruto da ciência do bem e do mal’, que a mitologia greco-judaico-cristã e todas as religiões que deles derivam nos proíbem, como alimento venenoso por excelência, como peçonha moral viciando todas as coisas.

Aprender.

Eis o crime segundo a Igreja, o crime segundo o Estado, o que quer que possam imaginar padres e agentes de governo que absorveram, apesar disso, esses germes de heresia.

Aprender.

Aí está, ao contrário, a virtude por excelência para o individuo livre, desligando-se de toda autoridade divina ou humana: ele rejeita igualmente aqueles que, em nome de uma ‘razão suprema’, arrogam-se o direito de pensar e falar por outrem, e aqueles que, em nome da vontade do Estado, impõem leis, uma pretensa moral exterior codificada e definitiva.

Pensar, falar, agir livremente em todas as coisas. O ideal da sociedade futura, em contraste com a sociedade atual, define-se da maneira mais clara! De uma só vez o evolucionista, tornando-se revolucionário, separa-se de toda a igreja dogmática, de todo corpo estatutário, de todo agrupamento político de clausulas obrigatórias, de toda associação, pública ou secreta, na qual o societário deve começar por aceitar, sob pena de traição, ordens incontestes.

Assim o homem que quer realmente desenvolver-se como ser moral deve defender exatamente o contrário do que recomendam a Igreja e o Estado: ele deve pensar, falar, agir livremente. Estas são as condições indispensáveis de todo o progresso. A plena e absoluta liberdade de exprimir seu pensamento em todas as coisas, ciência, política, moral, sem outra reserva além daquela de seu respeito por outrem.


Élisée Reclus



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Somos senhores da terra e do ar, do fogo e da água. Voamos mais rapidamente do que os pássaros. Mergulhamos nos abismos. Perfuramos as montanhas e reduzimos as florestas a nada. Sobre a natureza exercemos poderes mais vastos do que os que nossos antepassados imaginavam nos deuses. Mas somos deuses? Nem tanto! Demônios, talvez. E, da terra, fizemos o Pandemônio. Para cada bilhão em riqueza que os homens engenhosos acrescentaram à nossa parte, outros homens destruíram um bilhão, às vezes em riqueza, às vezes em valor humano, por meio de guerras, trapaças, especulações, jogo, fraude, chicana, pragas, mentiras, ultrajes e - acima de tudo - estupidez mortal. Pois toda maneira descoberta por algum pensador para tornar baratas as mercadorias tem sido explorada, defraudada e mal conduzida de maneira colossal por outros homens sem imaginação, de modo que, quanto mais rapidamente a riqueza se acumula num ponto, a decadência e a miséria abundam noutros pontos em proporção harmoniosa.


Walter B. Pitkin, em Breve Introdução à História da Estupidez Humana, 1932




DOWNLOAD: CLUTCHY HOPKINS
- THE LIFE OF CLUTCHY HOPKINS - 2006 - VBR

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